PDT, PT e um difícil acordo

Somente um cenário totalmente novo, improvável para o momento, fará com que o grupo governista na Capital tenha um outro candidato a prefeito que não do PDT. A preço de hoje, o cabeça de chapa será mesmo um pedetista, saindo o candidato a vice do diálogo com os partidos aliados, inclusive podendo ser usado para atrair mais apoios à aliança. As articulações do grupo governista na sucessão de Fortaleza vão ocorrer durante toda esta semana e só terminarão na próxima sexta-feira (11), no fim da tarde.

A confirmação do candidato ocorrerá de última hora, mais uma vez, como já virou tradição. Após este feriado prolongado, no qual as lideranças se dividiram, as conversas serão retomadas na terça-feira (8).

No PDT, o debate é sobre os cinco pré-candidatos e o diálogo com os demais aliados. No PT, o governador ainda tenta unir o partido ao PDT, em uma candidatura que seria única e, inclusive, pouco provável diante das últimas circunstâncias.

Há informações, entre os petistas, de que os diálogos devem ir ainda até quarta (8), data em que o partido deve anunciar uma posição definitiva.

Carta fora

O ex-assessor de relações institucionais da gestão Camilo Santana, Nelson Martins, já comunicou às lideranças petista e pedetista de que não topa a missão de ser candidato a prefeito de Fortaleza, em uma hipótese - considerada remota pelas fontes desta coluna que acompanham de perto as negociações - de unificar as duas legendas na sucessão municipal. Nelson é um personagem conhecido pela lealdade aos projetos que integra. Tanto que, para atender a um pedido do governador, se desincompatibilizou para demonstrar disposição ao diálogo interno no PT. A motivação de Nelson, desta feita, é pessoal. Familiar, mais precisamente.

A questão que se coloca no impasse governista, neste momento, é a seguinte: há outro personagem em cena que seja capaz de aglutinar as duas legendas?

Gestos de lado a lado

O desgaste entre PT e PDT em âmbito nacional, citado como empecilho para aliança em Fortaleza, já foi maior. Ciro Gomes não só deixou de proferir declarações desabonadoras ao partido, como tem feito gestos em sentido contrário. O apoio à candidatura de Elmano de Freitas em Caucaia é um deles. No fim da semana passada, a articulação que levou Natécia Campos, do PP - partido comandado por Zezinho Albuquerque, muito próximo de Ciro - foi a última demonstração de disposição à aproximação. Lula também amenizou as críticas a Ciro, e passou a fazer elogios. Elmano, por sinal, já declarou que fará sua campanha em Caucaia, segundo maior colégio eleitoral do Estado, destacando o apoio de Ciro, Lula e Camilo Santana.

Cenário provável

Ao que tudo indica, conforme destacamos nesta coluna na edição do dia 27 de agosto, o que deve haver é uma espécie de "acordo de cavalheiros" entre os partidos no primeiro turno, evitando um confronto direto mais acirrado - considerando que a candidata é Luizianne Lins. Se o acordo for cumprido, pode se considerar um feito do governador. E este é o primeiro passo para que seja possível uma aliança entre os dois partidos no segundo turno. As articulações, como dissemos, seguem em andamento, mas este cenário, segundo fontes nas duas legendas é o mais provável para o momento.



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