O papel do vice e o desconhecimento sobre os candidatos ao cargo em Fortaleza

O histórico de Fortaleza mostra relações turbulentas entre prefeitos e vices desde a reabertura democrática. Ciro Gomes e Juracy Magalhães, Luizianne Lins e Tin Gomes, Roberto Cláudio e Gaudêncio Lucena são exemplos de quanto é difícil a dupla se manter unida durante todo o mandato. Fruto de entendimento político, a composição dos integrantes das chapas majoritárias ocorre com interesses bem determinados geralmente pensando mais na eleição do que propriamente na gestão e é este o início dos problemas para os gestores. Por isso, é fundamental que os vices tenham um papel já determinado na gestão para reduzir os riscos de conflitos políticos. Em tempos de instabilidades políticas, o papel do vice ganha ainda mais relevância por ser o primeiro na linha sucessória em caso de impedimento do chefe do Executivo. O exemplo mais bem acabado disso é Michel Temer (MDB), um dos articuladores do impeachment da presidente Dilma Rousseff, que viria a assumir o poder na sequência.

Pesquisa ibope

Mesmo com os exemplos que já citamos no âmbito local e nacional, os candidatos a vice-prefeitos nesta eleição continuam sendo desconhecidos da maioria da população. 59% dizem não conhecer o candidato que compõe chapa com Sarto Nogueira (PDT), que é Élcio Batista (PSB). E 60% dizem desconhecer Kamila Cardoso (Podemos) a candidata a vice de Capitão Wagner (Pros). Neste ponto, há uma dupla falha: de alguma forma, as candidaturas se comunicam mal sobre os vices. E, por outro lado, a própria população deixa o conhecimento sobre o vice em segundo plano. Na edição de hoje, o Diário do Nordeste traz reportagem com entrevista com os dois para que os leitores tenham mais conhecimento sobre estes candidatos.

Juventude e políticas públicas

No caso da chapa governista, a escolha de Élcio Batista teve um objetivo bem claro de trazer o governador Camilo Santana (PT) para dentro da chapa majoritária, tendo em vista que Élcio deixou o principal cargo do Governo do Estado – a Casa Civil – para se viabilizar candidato. Como o PT do governador tinha candidatura própria, essa foi uma forma de tentar agregar o capital político do governador à chapa no primeiro turno. Élcio também deu à chapa com Sarto os ares de juventude e de formatação de políticas públicas, pela própria formação do candidato, que é sociólogo por formação. A chapa promete um papel atuante do vice, caso seja eleita.

Mulher e militante

A promessa da chapa encabeçada por Capitão Wagner é que, caso seja a escolhida pelo eleitorado, Kamila terá papel igualmente atuante. Ela é militante da causa dos direitos à acessibilidade e inclusão social. Uma mulher, mãe e atuante na área, ela foi escolhida com o objetivo de agregar mais leveza a uma chapa que já tinha um capitão da Polícia Militar. E de agregar conceitos à gestão, em caso de vitória. Ela foi anunciada após fracassar algumas articulações para agregar apoios à chapa, o que não diminui a importância da escolha para tentar agregar as qualificações mencionadas.

O vice atual

O atual vice, Moroni Torgan (DEM), chegou à chapa de Roberto Cláudio para agregar projetos de Segurança Pública e manteve a função durante os quatro anos. Ele chega ao fim da gestão como a exceção por não terminar rompido politicamente.