Nova fase da pandemia exige maturidade política e espírito público: é pedir demais?

Pessoa sendo vacinada
Legenda: Com o início da vacinação, ao que parece, o fim do pesadelo pandêmico está mais perto do que longe, mas a situação inspira bastante cuidado
Foto: José Leomar

É doloroso ver a tensão das famílias que sobrevivem da renda de estabelecimentos considerados não essenciais em um momento como este, o que recai principalmente sobre bares e restaurantes, de atividades noturnas. O momento é preocupante, sim. Mas não só nisso. É ainda mais sofrível ver o recrudescimento da pandemia. Hospitais lotados, na rede pública e privada. E uma perspectiva negativa para as próximas semanas.

Há o exemplo de Manaus aí para quem quiser ver, inclusive aos que querem negar a gravidade dos fatos desde março do ano passado. Aliás, mais do que isso, há a cepa de Manaus que ameaça o Brasil todo - Fortaleza no meio.

O momento, portanto, é delicadíssimo. Entretanto, não pode e nem deve haver omissão das autoridades públicas em relação ao cenário. Governar é um ato de responsabilidade, acima de qualquer ocasional simpatia. Há que se ouvir os especialistas em Saúde para a tomada das providências cabíveis para preservar vidas. Isso é o mais importante neste momento. Lamentavelmente, nós falhamos como sociedade.

Busca por cessar-fogo

Ao invés de dividir para criar factoides, penso que cabe aos políticos - as lideranças que representam os mais variados segmentos da população -, independentemente de que lado estejam, um cessar-fogo para buscar soluções concretas aos problemas.

O momento exige espírito público e republicano para que o Brasil possa seguir essa travessia. Ao que parece, o fim do pesadelo pandêmico está mais perto do que longe, com o início da vacinação. A situação, entretanto, inspira bastante cuidado aos que são responsáveis.

Déjà vu

Os protestos que ocorreram na quinta (4) nas proximidades da Assembleia Legislativa, em contestação às novas regras impostas pelo Governo do Estado sobre a restrição no funcionamento dos estabelecimentos, devem ser vistos como a manifestação de trabalhadores preocupados com o sustento de suas famílias. É justo! Mas não deixam de remeter à insurgência de alguns atingidos por medidas restritivas impostas pelo governador do Amazonas em dezembro passado.

A pressão por lá fez com que o gestor recuasse. O resultado de tudo foi a instalação de um completo caos no sistema de Saúde, cujos resultados renderam processos aos envolvidos, desde o prefeito de Manaus até o ministro da Saúde.

Palmas ao caos

No episódio de Manaus, alguns dos políticos daqui usaram as redes sociais para exaltar a ação dos contestadores que conseguiram reverter as medidas governamentais. Nenhum dos mesmos, entretanto, se pronunciou após a instalação do caos na Saúde manauara. Agora, a situação de conflito chega ao Ceará. Como vão agir?

Pauta concreta

A necessidade de união para a superação destes problemas, entretanto, não significa mudar de lado na política. Significa, como já relatado, buscar soluções. É um ato de responsabilidade de qualquer líder se despir de sua capa eleitoral para acalmar os ânimos. E, em outra via de atuação, cobrar dos governantes medidas que possam amenizar os efeitos.

Em vez de incitar insurgência - que pode custar vidas -, ter uma pauta concreta a ser apresentada. Sem minimizar os efeitos da crise e fazendo, com franqueza, o bom enfrentamento. Do contrário, haverá mais conflitos e mais mortos.



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