"Nos rebelamos no início, mas aos poucos encontramos caminhos", diz presidente da CDL sobre Covid-19

Assis Cavalcante destaca o diálogo entre a iniciativa privada e o poder público para tentar superar a crise e a participação da entidade no Comitê de Enfrentamento da Pandemia

Presidente da CDL Fortaleza, Assis Cavalcante
Legenda: Para o presidente, o diálogo possibilitou ao Ceará uma perspectiva de retomada da economia mais rápida
Foto: Cid Barbosa

Entre os setores da economia, o varejo está entre os mais afetados com a pandemia, principalmente nos momentos de ‘lockdown’, em que o comércio teve de fechar as portas das lojas físicas. O momento complicado acabou deixando também lições, como avalia o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Fortaleza, Assis Cavalcante. 

Em conversa com este colunista, o presidente detalhou as dificuldades do momento vividas por todas as empresas, mas destacou a integração em busca de soluções para a crise aqui no Ceará. 

Desde março de 2020, quando o governo do Estado instituiu o Comitê Estadual de Enfrentamento ao Coronavírus, a entidade esteve representada na mesa de debates.  

“Foi um instrumento importante. No primeiro momento, nós nos rebelamos contra ele, não entendíamos bem o que era... Aos poucos, fomos participando semanalmente, dialogando, entendendo, compreendendo, valorizando e questionando também... De tal forma que, pelo diálogo, houve um amadurecimento dessa relação. Fomos encontrando os caminhos”. 
Assis Cavalcante
Presidente da CDL Fortaleza

As palavras do líder da entidade na Capital revelam um dos ganhos deste momento tão difícil para empresas e cidadãos: a maior interação entre o setor produtivo e o poder público em busca de encontrar caminhos para a solução dos problemas. 

Assis Cavalcante detalha as negociações difíceis, em que foi preciso ainda mais diálogo para superar a crise. Desde o fechamento das lojas até a elaboração dos protocolos de reabertura, ele destaca que houve diálogo.

“Houve momentos que questionamos, fomos respeitados, recebemos ‘não’ no momento oportuno, depois cobramos de novo, levamos os pleitos da entidade e assim construímos o que vemos hoje”, relembra o dirigente. 

Medidas anunciadas

No último dia 16 de dezembro, a CDL Fortaleza recebeu o governador Camilo Santana para um almoço de confraternização em que foi assinado o decreto por meio do qual o estado parcelou em três meses, o pagamento dos créditos de ICMS relativos ao mês de dezembro. Uma iniciativa que, para a entidade, representa um fôlego no fluxo de caixa para os primeiros meses do ano. 

Esta, segundo Assis Cavalcante, foi uma das medidas governamentais que atenderam ao setor no momento de dificuldade. “Em março, houve para os optantes do simples nacional o parcelamento do valor para o fim deste ano. Foi uma ajuda. O Refis anunciado foi outra. Então, são questões para ajudar o setor a retomar as vendas”, reforça o presidente da entidade.

Colaboração

A entidade representativa do comércio, por sua vez, destaca as ações de colaboração como a disponibilização de postos de testagem para a Covid-19 no Centro da Capital. Posteriormente, a ação de cadastramento da população para a vacinação. 

“Nosso objetivo sempre foi sair o mais rápido possível da crise, sempre dialogando e cooperando. E seguimos assim”, reforça. 

Ele reconhece os ganhos na relação com o poder público. “O papel do Estado é contruir estradas. E nós (iniciativa privada) vamos pavimentar”, encerrou.