Após terceira derrota seguida, PT terá de repensar estratégia na Capital

A votação de Luizianne Lins, porém, não é desprezível. O fato de ter tido uma candidatura majoritária ajudou o partido a eleger três vereadores, em um cenário complicado após o fim das coligações proporcionais

Legenda: Assim como em 2016, Luizianne Lins terminou a disputa pela Prefeitura de Fortaleza em terceiro lugar
Foto: Fabiane de Paula

O resultado das urnas no primeiro turno das eleições em 2020 em Fortaleza revela algumas simbologias e convém fazer reflexões. Uma delas diz respeito à participação do PT, partido que deteve o comando da Capital cearense entre 2005 e 2012 na gestão Luizianne Lins. Por três eleições municipais seguidas, 2012, 2016 e 2020, as candidaturas do partido entraram no pleito pela Prefeitura de Fortaleza com o objetivo de exaltar e defender um legado construído ao longo dos anos de administração petista.

Desempenho

Pela terceira vez seguida, o partido sai derrotado na disputa pela Prefeitura, duas delas não chegando sequer ao segundo turno. Os 227 mil votos conquistados por Luizianne Lins demonstram o reconhecimento de parte da população ao que foi feito, isso é fato. Essa votação não é desprezível, pelo contrário. O fato de ter tido uma candidatura majoritária ajudou o partido a eleger três vereadores, em um cenário complicado após o fim das coligações proporcionais.

Mudanças de rumo

Entretanto, do ponto de vista estratégico, 2020 dá sinais de que pode ter sido para o partido o capítulo derradeiro da sistemática adotada nos três últimos pleitos de olhar mais para trás do que para a frente. Para os próximos ciclos eleitorais na Capital, o PT precisará repensar as táticas majoritárias, as narrativas e reposicionar os discursos para tentar voltar a ser competitivo na disputa à Prefeitura.

MDB em dificuldade

Os sinais emitidos no período pré-eleitoral sinalizavam que a eleição seria difícil para o MDB em Fortaleza. Sem um nome minimamente viável para disputar a Prefeitura da Capital, o partido ficou até a última hora tentando fechar um arranjo eleitoral cujo sucesso nas urnas passava longe de qualquer expectativa. Optou-se por uma coligação majoritária com o Solidariedade que resultou pouco relevante para a disputa à Prefeitura. Na Câmara, ainda pior: nenhuma vaga conquistada. Um partido que já foi majoritário na Capital nos tempos de Juraci Magalhães.

Dificuldades

Some-se à dor de cabeça do presidente estadual do partido, ex-senador Eunício Oliveira, a derrota de Ildsser Lopes à Prefeitura de Lavras da Mangabeira, a terra natal dele. Ildsser concorria à reeleição, contou com apoio de Eunício e Camilo Santana, mas isso não foi suficiente. O MDB, aliás, vem reduzindo sua representatividade também no Interior do Estado, revela o cenário que saiu das urnas no último domingo. Outro partido que precisa renovar lideranças, repensar as questões programáticas e tentar captar o sentimento da população. Dever de casa.



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