A redução de estrangeiros no futebol brasileiro é um grande retrocesso

Medida aprovada pela CBF não tem relação com formação da base

Escrito por
Alexandre Mota alexandre.mota@svm.com.br
(Atualizado às 14:43)
Legenda: O meia uruguaio Arrascaeta, do Flamengo, é um dos estrangeiros de maior sucesso no futebol brasileiro
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

A redução de estrangeiros no futebol brasileiro é um retrocesso. O país evoluiu o regime nos últimos 10 anos, subiu de três atletas relacionados para nove no intervalo de 2013 até 2024, mas uma "canetada" na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) percebeu a globalização como um problema com a justificativa de aproveitar mais a base. A minha dúvida então é: o que uma coisa tem a ver com a outra?

Como a presença de um jogador de outra nacionalidade tem impacto na formação do nosso talento? De que forma a chegada do argentino Flaco López atrapalhou a revelação do Endrick no Palmeiras?

O DNA brasileiro sempre teve espaço. E a Série A utiliza o jovem, como Breno Bidon (Corinthians), Jonathan (Cruzeiro) e Vitor Roque (Palmeiras). A base revela, e os bons jogam - isso nunca mudou.

Breno Bidon em ação pelo Corinthians
Legenda: O volante Breno Bidon é um dos jovens talentos do elenco do Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Corinthians

O problema aqui é econômico. Os melhores vão embora com 16, 17 e 18 anos sem que as próprias torcidas possam desfrutar da joia. O nosso trabalho de formação é ruim quando as Seleções Brasileiras de base não possuem uma integração com a principal, quando o calendário nacional é frágil, o regimento de formação não protege mais os valores do assédio do estrangeiros e a captação dos treinadores fica estagnada, sem evoluir a dinâmica no novo futebol. E não atacar nada disso é uma solução vazia.

No fim, a falta de gestão e estrutura transformaram o Brasil em exportador, e o recurso do estrangeiro não é nada além de um mecanismo de defesa dos próprios clubes, que vão repor saídas de nomes como Estêvão, Allan, Rayan, Vitor Reis, Igor Jesus, Luiz Henrique, Wesley e tantos outros.

Estêvão em ação pelo Chelsea, da Inglaterra
Legenda: O meia Estêvão foi vendido pelo Palmeiras para o Chelsea, da Inglaterra, em 2025
Foto: Glyn Kirk / AFP

Deste modo, a decisão é péssima pois enfraquece o próprio produto/liga, não ‘ataca’ o verdadeiro gargalo de mercado e ainda atrapalha a consolidação das marcas locais no cenário internacional, atrapalhando inclusive o movimento atual, de consolidação brasileira na Libertadores e na Copa Sul-Americana.

A derrocada brasileira na geopolítica do esporte não tem relação com talento, mas com administração. O fracasso do Brasil é o próprio Brasil.

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