O transporte de minerais críticos entrou de vez no radar da Transnordestina. A ferrovia já está sendo preparada para transportar essas cargas no Ceará.
As informações são diretor-executivo de infraestrutura e logística da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Tufi Daher Filho.
A CSN é dona da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), empresa responsável pela construção e operação da ferrovia.
O transporte de outras cargas já é realizado, ainda em forma de testes, entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu.
Os carregamentos são principalmente de grãos, mas, aos poucos, outras cargas, como minérios, entram no planejamento de negócios da empresa.
Daher Filho inclui nesse contexto os minerais críticos, uma série de compostos bastante requisitados sobretudo pela indústria de tecnologia e comumente chamados de "terras raras".
As terras raras, por sua vez, integram minerais críticos, como o lítio, o cobalto, o níquel e o grafite.
As terras raras são o futuro do mundo, e o Brasil tem a segunda maior reserva do mundo. São investimentos altíssimos, é preciso todo um processamento, e espero que possamos explorar as terras raras aqui, sem simplesmente exportá-las brutas. Não deve ser mais uma commodity apenas exportada.
Demanda crescente
O representante da CSN afirma que a TLSA é procurada atualmente por mineradoras de pequeno porte para o transporte de 4 a 5 milhões de toneladas por ano de minério de ferro.
De acordo com ele, isso estimulou o desenvolvimento de uma área específica para essas cargas no terminal da empresa, construído na região do Porto do Pecém.
"O Tup/Nelog do Pecém conta com toda a parte de grãos, fertilizantes e uma pequena parte de contêineres, mas teremos uma grande área para minérios de toda espécie, não só o minério de ferro, mas também fosfato. A própria gipsita poderá ser exportada pelo Porto do Pecém", lista.
Transnordestina em Baturité
Nesta segunda-feira (21), foi entregue o lote 6 da Transnordestina, que interliga Quixeramobim a Quixadá, no Sertão Central cearense.
Daher Filho afirma ainda que mais 70 km, que incluem os lotes 7 (Quixadá - Itapiúna) e 11 (Caucaia - Porto do Pecém), serão concluídos em 2027.
Os três lotes restantes, o 8 (Itapiúna - Baturité), 9 (Baturité - Aracoiaba) e 10 (Aracoiaba - Caucaia), devem ser entregues no ano que vem, seguindo o calendário proposto:
- Lote 8: até junho de 2027;
- Lotes 9 e 10: até dezembro de 2027.
Os últimos dois lotes a serem entregues são executados pela Ágis Construção, empresa que já foi responsável pelas obras da Linha Leste do Metrô de Fortaleza.