Juros altos são 'remédio amargo' para controle da inflação no Brasil, afirma Fernando Gonçalves

Economista-chefe e executivo do Itaú Unibanco condiciona novos cortes na Selic a maior equilíbrio econômico do País.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
07 de Agosto de 2026 - 06:00
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Legenda: O executivo Fernando Gonçalves é o 4º palestrante anunciado pelo DN Business, que será realizado no próximo dia 10 de agosto.
Foto: Itaú/Divulgação

O corte de 0,25 ponto percentual na Selic aprovado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mostra que a autoridade monetária segue cautelosa na flexibilização dos juros, diante das incertezas que cercam o cenário econômico brasileiro. A avaliação é do superintendente de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco, Fernando Gonçalves.

Gonçalves  é um dos palestrantes do DN Business, fórum corporativo do Sistema Verdes Mares (SVM) marcado para 10 de agosto, às 8h, no BS Design, em Fortaleza. Os ingressos estão esgotados.

"É uma queda relativamente pequena para juros que ainda estão em um patamar bastante elevado, o que atrapalha muito projetos de investimentos. O principal posicionamento dos empresários é que ainda existe uma restrição importante para grandes projetos de investimento com os juros altos como estão", afirma.

Com a decisão, a Selic passou a 14% ao ano. Para Gonçalves, o nível atual "ajuda a trazer a atividade econômica para um patamar com inflação menor".

"Apesar de entender que tem consequências para empresários, é necessário para manter a inflação num patamar controlado. É o remédio amargo mais importante para não entrar em desequilíbrio, com inflação mais alta no Brasil e mais afastada da meta de 3%", avalia.

Cenário internacional pressiona, avalia Gonçalves

Para o executivo do Itaú Unibanco, parte das incertezas que limitam o ritmo de queda dos juros no Brasil vem de fora, como a volatilidade do preço do petróleo e a política econômica do governo de Donald Trump nos Estados Unidos.

"Há também a questão das tarifas, que insere o cenário brasileiro nesse panorama externo. Há ainda incertezas em relação à política monetária americana, com a entrada do novo presidente do Fed (Banco Central dos EUA), que trouxe uma comunicação percebida como mais ambígua pelos analistas", diz.

A projeção do Itaú é de mais um corte ainda em 2026, que levaria a Selic a 13,75%. A taxa deve ser mantida nesse nível nos primeiros meses de 2027, período de transição entre os mandatos presidenciais e recuar de forma gradual ao longo do ano até 12,5%.

"A expectativa é de que haja menos estímulos fiscais no ano que vem do que neste ano. Se há menos estímulos fiscais, pode haver uma política monetária um pouco mais afrouxada também", pondera.

O que esperar do DN Business?

Fernando Gonçalves forma o quarteto de palestrantes do fórum corporativo realizado pelo Sistema Verdes Mares. Além dele, Ana Paula Vescovi, Caio Megale e Eduardo Giannetti estarão conduzindo as discussões. 

Para  o executivo do Itaú, o encontro é uma chance de confrontar as projeções do banco com as restrições que as empresas relatam no dia a dia.

"É muito importante estar mais próximo das empresas e observar quais são as restrições reais que elas enxergam. Confrontar isso com os cenários que temos, sem dúvida, nos ajuda. É uma troca de benefício mútuo, tanto para os empresários quanto para nós, economistas, entendermos as dificuldades reais de quem está realmente tocando negócios no Brasil", conclui.

SERVIÇO - 1º DN BUSINESS

  • Data: 10 de agosto de 2026 (segunda-feira);
  • Horário: 8h;
  • Local: BS Design - Fortaleza (CE);
  • Ingressos esgotados;
  • Realização: Sistema Verdes Mares. 
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