Ferrovia abandonada em 22 cidades do Ceará volta à União e deve ir à iniciativa privada

Malha de quase 600 km fazia parte do projeto da antiga Transnordestina.

30 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: O Ceará é o único dos estados com trechos concedidos para a FTL onde há ferrovia abandonadas pela concessionária e trechos em funcionamento.
Foto: Kid Jr.

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou a devolução à União de 3.014 km de malha abandonada no Nordeste, tecnicamente chamada de não operacional e sob a concessão da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL). 

Desse total, 568 km percorrem o Ceará e abrangem 22 cidades. A decisão ocorreu no último dia 21 de outubro.

Além da devolução da antiga Transnodestina, o acordo prevê o reconhecimento de indenização de R$ 1,785 bilhão.

Segundo a decisão, o pagamento e o cumprimento das obrigações pela FTL dependem da futura prorrogação da concessão, prevista para 2028.

Após o acordo no TCU, o caso voltou à fase de análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), informou o Ministério dos Transportes.

De acordo com a pasta, as condições definitivas para a renovação contratual ainda não estão plenamente estabelecidas, pois dependem da conclusão das etapas técnicas, regulatórias e de participação social.

"A devolução dos trechos não operacionais permitirá novas alternativas de exploração ferroviária, incluindo chamamentos públicos, projetos de transporte regional e outras soluções de interesse público", destacou o Ministério dos Transportes.

Já a ANTT apontou que o acórdão do TCU estabeleceu algumas balizas que nortearão os estudos de prorrogação do contrato da FTL. "As propostas serão oportunamente submetidas à Audiência Pública, garantindo a transparência e a participação social", disse a agência, em nota.

Obrigações e investimentos de R$ 136 milhões

A empresa também assumirá obrigações de desativação da infraestrutura, regularização ambiental e fundiária e mapeamento geográfico, além de investimentos de R$ 136,28 milhões para reduzir conflitos entre a ferrovia e as áreas urbanas.

A FTL ainda está proibida de usar os recursos da indenização e da conversão de multas para pagar serviços de manutenção já acordados pela companhia.

O TCU também cobra cronograma detalhado das obras e dos gastos e a criação de penalidades proporcionais à gravidade dos descumprimentos.

O que ocorrerá após a devolução?

Os trechos seguem sob concessão da FTL, empresa privada, mas sem operação. Se a devolução se concretizar, a União poderá oferê-los a novas empresas.

A expectativa do governo é usar o trecho para o transporte de cargas, de passageiros ou para operação turística.

Conforme o Ministério dos Transportes, a operação será direcionada à iniciativa privada, por meio de chamamentos públicos.

Para a pasta, o procedimento permite que empresas interessadas apresentem soluções para a recuperação e a exploração da infraestrutura ferroviária.

A destinação dos ativos tem como base estudos desenvolvidos em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Infra S.A., que identificaram a viabilidade de recuperar o trecho para diversas finalidades de interesse público.

Procurada, a Infra S.A. afirmou que é responsável pelo trecho de Pernambuco da Transnordestina e que o processo de renovação da FTL é conduzido pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT.

Veja as cidades com malha não operacional da antiga Transnordestina

Parte do traçado da antiga ferrovia coincide com o novo projeto da Transnordestina, atualmente em obras. A nova Transnordestina ligará Eliseu Martins, no Piauí, ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), no Ceará. 

452 km
É a extensão da antiga Transnordestina que coincide com o atual projeto. O trecho corresponde à distância entre Pacatuba e Arrojado, localidade de Lavras da Mangabeira.

  • Crato
  • Juazeiro do Norte
  • Missão Velha
  • Aurora
  • Lavras da Mangabeira
  • Cedro
  • Iguatu
  • Acopiara
  • Piquet Carneiro
  • Senador Pompeu
  • Quixeramobim
  • Quixadá
  • Itapiúna
  • Capistrano
  • Baturité
  • Acarape
  • Redenção
  • Guaiuba
  • Pacatuba
  • Maracanaú
  • Fortaleza.  

Antiga Transnordestina não opera há quase 13 anos

O Ministério dos Transportes já previa a recuperação dos trechos inativos pelo Governo Federal. O Ceará é o único estado, entre os que têm trechos concedidos à FTL, com ferrovia abandonada pela concessionária e trechos em funcionamento.

Conhecida como antiga Transnordestina, a ferrovia foi construída ao longo dos séculos XIX e XX e é, até hoje, a maior extensão ferroviária do Estado, ligando Fortaleza ao Crato, com um ramal na altura de Cedro que se conecta à Paraíba.

Em 2013, já sob concessão da FTL, a ferrovia foi inteiramente desativada. A nova Transnordestina, em construção no interior cearense, é uma remodelação da antiga linha férrea.

A concessionária já declarou que não tem interesse na exploração comercial da ferrovia e concentra esforços na recuperação da malha operacional, que liga Fortaleza a São Luís em um trajeto de pouco mais de 1,2 mil km.

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