Concessão da BR-116 abrange 19 cidades do Ceará; veja lista

Estudos do BNDES e do Ministério dos Transportes definirão investimentos e pedágios.

Escrito por Paloma Vargas paloma.vargas@svm.com.br
19 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: BR-116 no Ceará deve ser concedida à iniciativa privada.
Foto: Thiago Gadelha.

A concessão da BR-116 à iniciativa privada abrange 19 municípios no Ceará (veja a lista abaixo). O trajeto cruza o Estado passando por importantes polos econômicos e engloba as regiões do Litoral Leste, Vale do Jaguaribe, Centro-Sul e Cariri, até a divisa com Pernambuco.

O trecho cearense começa no entroncamento com a BR-304, no distrito de Boqueirão do Cesário (limite territorial de Beberibe), e se estende até o município de Penaforte, na divisa com Salgueiro (PE).

O lote da BR-116, que abrange, além do Ceará, os estados da Paraíba e de Pernambuco, totaliza 473 km.

Nesse caso específico, o trecho da rodovia que fica na Região Metropolitana, incluindo Fortaleza, ficou de fora da concessão.

Confira a lista das cidades cearenses cortadas pelo trecho em estudo:

  1. Beberibe
  2. Palhano
  3. Russas
  4. Limoeiro do Norte
  5. Tabuleiro do Norte
  6. São João do Jaguaribe
  7. Alto Santo
  8. Jaguaribara
  9. Jaguaribe
  10. Icó
  11. Umari
  12. Baixio
  13. Ipaumirim
  14. Barro
  15. Milagres
  16. Abaiara
  17. Brejo Santo
  18. Jati
  19. Penaforte

Obras, investimentos e pedágios ainda não foram definidos

O itinerário integra estudos de estruturação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério dos Transportes.

De acordo com o BNDES, a instituição atua como financiadora e estruturadora do projeto. Assim, o banco foi contratado para desenvolver os estudos preparatórios que antecedem o leilão do Governo Federal.

Sobre os valores de investimento previstos, a exigência de obras de duplicação, a construção de viadutos e a instalação de praças de pedágio no Ceará, o BNDES esclareceu que todo esse detalhamento será resultado dos estudos de viabilidade, que ainda serão desenvolvidos.

O contrato global abrange 3.137 km de rodovias federais no Norte e no Nordeste, incluindo, além da BR-116, a BR-153 (Pará e Tocantins), a BR-010 (Maranhão e Pará), a BR-226 (Piauí, Maranhão e Tocantins) e a BR-104 (Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas).

Papel da BR-116 para a logística do País 

A BR-116 é a maior rodovia do Brasil, com mais de 4,6 mil quilômetros (km) de extensão. A via liga Fortaleza (CE) a Jaguarão (RS), na fronteira com o Uruguai. Vários trechos, sobretudo no Sudeste e no Sul, já estão sob concessão, como a Rodovia Régis Bittencourt (que interliga São Paulo a Curitiba).

No fim de 2025, o Ministério dos Transportes anunciou que 14 trechos rodoviários de diferentes rodovias devem ser concedidos ou ter os contratos vigentes otimizados.

Vários deles compreendem trechos da BR-116 nos demais estados por onde ela passa: Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Naquela ocasião, apenas Ceará e Paraíba haviam ficado de fora. Ao todo, a BR-116 tem aproximadamente 540 km no Estado. A rodovia começa em Fortaleza, na Praça Manuel Dias Branco, na rotatória da avenida Aguanambi, e segue rumo ao sul.

Em determinado momento, a rodovia sai do território cearense pelo município de Ipaumirim, entra na Paraíba por Cachoeira dos Índios (PB), onde percorre um pequeno trecho de cerca de 13 quilômetros, e retorna ao Ceará por Barro.

Impacto para o empresariado 

O anúncio da concessão gerou críticas de setores econômicos cearenses, que afirmam não ter sido consultados sobre os trechos priorizados.

De acordo com o presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Coinfra-Fiec), Heitor Studart, as entidades ligadas ao transporte rodoviário e à logística não participaram do debate sobre a definição do pacote.

Para ele, a medida do Ministério dos Transportes foi um "atropelo ao rito do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050". Segundo Studart, a definição deveria passar primeiro pela elaboração de planos setoriais em conjunto com o setor produtivo local, o que não ocorreu.

"O setor produtivo foi pego de surpresa. Mais uma vez é um negócio que se lança sem estudos de viabilidade de retorno definido, de retorno econômico para a sociedade", desabafa.

Na avaliação dele, preocupa o fato de o trecho cearense mapeado nos estudos ser integralmente de pista simples e de não haver garantia prévia de que haverá obrigatoriedade de duplicação.

Studart também destacou u a urgência de o estudo da concessão considerar a substituição do asfalto por pavimentos rígidos de concreto, justificando que a malha rodoviária atual não suporta o peso das carretas de nove eixos.

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