Bets articulam reação no STF e no Congresso após proibição do Governo Federal

Empresas do setor estudam ação conjunta no Supremo.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
27 de Setembro de 2026 - 13:52 (Atualizado às 13:55)
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Legenda: apostas online.
Foto: Shutterstock.

As empresas de apostas esportivas e jogos on-line articulam uma reação à Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sexta-feira (25). O setor avalia uma ofensiva jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF) e uma articulação no Congresso Nacional para tentar alterar ou derrubar a medida.

A estratégia reúne representantes de empresas, associações e advogados do setor. Segundo apuração de O Globo, uma das possibilidades envolve uma ação conjunta no STF contra a MP. Entre os argumentos discutidos estão a segurança jurídica e os efeitos da proibição sobre empresas autorizadas a atuar no país.

A medida de Lula determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A proibição alcança as apostas esportivas e os jogos on-line. O texto também encerra autorizações estaduais e distritais para esse tipo de atividade.

Congresso deve analisar MP após eleições

No Congresso, representantes do setor também buscam apoio para modificar a medida provisória. A discussão, porém, deve ocorrer apenas após o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, conforme apuração de O Globo. A proximidade do pleito aumenta a sensibilidade política em torno do tema.

A MP passou a valer após a publicação, mas precisa da análise do Congresso para continuar em vigor. Caso não seja aprovada dentro do prazo constitucional, perde a validade.

Enquanto isso, o setor tenta preservar a operação das empresas autorizadas e questionar juridicamente a decisão do governo federal.

STF já analisa ações sobre apostas

A disputa chega ao STF em um momento no qual a Corte já possui processos relacionados à regulamentação das bets. Em julho, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, afirmou que o Tribunal deveria avançar no segundo semestre no julgamento de ações sobre as casas de apostas.

Entre os processos estão ações sobre proteção dos consumidores, publicidade dirigida a crianças e adolescentes, uso de benefícios sociais e impactos das apostas. Uma delas, apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), questiona a própria legislação responsável pela regulamentação das apostas de quota fixa.

Na semana passada, o ministro Flávio Dino também manteve uma restrição à publicidade de bets em bens públicos e eventos do governo de Minas Gerais. A decisão ocorreu em ação apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).

O que acontece com o dinheiro nas bets: veja resumo

Até 5 de outubro, às 23h59
Os apostadores podem sacar voluntariamente o saldo disponível nas plataformas.

A partir de 6 de outubro
Os sites e aplicativos das bets deixam de funcionar.

7 e 8 de outubro
As plataformas devem informar aos bancos os valores existentes nas contas vinculadas a cada CPF.

De 9 a 14 de outubro
Os bancos ficam responsáveis pela devolução integral dos valores aos apostadores.

A partir de 14 de outubro
Se houver algum impedimento para a devolução, a Caixa Econômica Federal fará a intermediação do pagamento aos apostadores.