Pelo menos quatro empresas estão interessadas em realizar as obras do Agro Parque, empreendimento multiúso com área de exposições, hotel e shopping no Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza.
As informações foram compartilhadas por Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), durante a apresentação de balanço da PEC Brasil 2026 nesta quarta-feira (8).
"Temos quatro propostas de empresas interessadas em receber o terreno da Expoece e fazer as obras no Eusébio. O problema agora é regularizar a escritura do terreno lá da Expoece, porque ninguém vai comprar um terreno desregularizado", disse Amílcar.
Ele, no entanto, não revelou o nome das empresas nem o prazo para o início das obras. De acordo com o presidente da Faec, o processo está nas mãos da Procuradoria-Geral do Estado do Ceará (PGE).
O Diário do Nordeste procurou a PGE em busca de detalhes e aguarda resposta. Quando houver retorno das solicitações, este material será atualizado.
Agro Parque será construído como contrapartida financeira do terreno da Expoece
Com um terreno com área superior aos 122 mil metros quadrados (m²), o Parque de Exposições Governador César Cals está há mais de 70 anos abrigando a realização da Expoece. O local também é sede da Feira Cearense da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Fecaf).
Na modalidade anterior de negócios, o parque de exposições em Fortaleza seria arrematado em leilão. Em vez de o vencedor pagar pelo terreno, teria que fazer reformas no Autódromo Internacional Virgílio Távora, no Eusébio, renomeado para Agro Parque.
Conforme Amílcar, a mudança passa porque, em vez de leilão, será uma parceria público-privada (PPP), mantendo as características de ter que fazer as obras no autódromo para poder explorar o terreno do parque de exposições.
"Necessitamos de um novo parque multiúso no Ceará, o da Expoece está velho. Não é possível que coloquemos os animais ali, é insalubre. Estamos regularizando o documento do Parque de Exposições Governador César Cals para que seja adaptado para o novo negócio para em 2028 estarmos no novo parque", vislumbra.
No fim de junho, o presidente da Faec declarou que a expectativa é de que as obras do futuro Agro Parque comecem em 2027 com investimento de R$ 150 milhões. A partir de 2028, o espaço já passaria a sediar a PEC Brasil e a Expoece.
"O problema dos parques agropecuários é que fazem um ou dois eventos durante o ano e não conseguem nem manter o negócio. Queremos fazer eventos sustentáveis, como a PEC e a Expoece, mas precisamos fazer vários eventos no ambiente para podermos inclusive fazer manutenções", pondera.
Centro de Eventos do Ceará está com espaço limitado, declara presidente da Faec
Renomeada para PEC Brasil em 2026, o evento passa a conviver com o desafio da limitação do espaço. Na edição deste ano, todos os pavilhões do Centro de Eventos do Ceará foram ocupados com a feira.
Silveira avalia que, embora a localização do Centro de Eventos e os acessos ao espaço sejam adequados, a PEC Brasil mais do que dobrou de tamanho nos últimos anos, e a infraestrutura disponível não é mais suficiente para comportar a feira e demais eventos correlacionados que acontecem simultaneamente no local.
"Estamos com dificuldade de espaço no Centro de Eventos, por dois dias seguidos houve problemas. Pode até trazer distúrbios para os moradores. Quebramos todos os recordes no Centro de Eventos, e o nosso maior desafio é ocupar os espaços com muita responsabilidade porque nem no estacionamento é mais possível", enfatiza.
Para ele, o Agro Parque surge como ambiente possível, mas teria que passar por obras de infraestrutura que dobrem a capacidade do espaço, passando dos cerca de 20 hectares atuais para 40 hectares quando for inaugurado, com "pelo menos 5 mil vagas de estacionamento".
"Exposições agropecuárias estão crescendo muito. Toda cidade do Ceará hoje quer fazer uma. Isso é ótimo para a nossa economia, mas temos que mudar o conceito do produtor. Exposição agropecuária não é para passear, é para fazer negócio: vender produtos, animais, fazer renda. É um hábito que já existe no Sul-Sudeste", defende.
PEC Brasil movimentou R$ 200 milhões em negócios
No balanço divulgado da PEC Brasil 2026, foram detalhados os números referentes ao volume negociado na feira. Ao longo de três dias de evento, foram fechados R$ 200 milhões em negócios.
"Crescemos mais de 25% em relação ao esperado. Estamos satisfeitos porque enquanto as feiras agropecuárias do Sudeste diminuem, as do Nordeste estão aumentando. Isso mostra a força da nossa economia", celebra Amílcar.
O evento contou com mais de 130 mil visitantes, com a maior parte dos expositores sendo da cadeia produtiva pecuária, como camarão e bovinocultura de corte, cuja tendência de crescimento deve ter mais destaque na PEC Brasil 2027, a ser realizada no início de junho do próximo ano.
"Queremos fazer o 1º Congresso Internacional de Zebus e aumentar as rodadas de negócios. Neste ano, 67% dos expositores da PEC Brasil são cearenses. Queremos crescer e fazer da PEC Brasil um evento nacional", prospecta o presidente da Faec.