Ginásio do Colégio Marista é demolido para dar lugar a prédios residenciais no Centro de Fortaleza

Empreendimento deve ser entregue em 2029, segundo informou construtora.

Escrito por João Lima Neto joao.lima@svm.com.br
09 de Setembro de 2026 - 14:00
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Legenda: No local onde foi o ginásio do Marista será construído três blocos residenciais.
Foto: Kid Jr/SVM.

Quem passa pelo cruzamento das ruas Clarindo de Queiroz e Jaime Benévolo, no Centro de Fortaleza, já não encontra mais o imponente e histórico ginásio do antigo Colégio Cearense do Sagrado Coração, popularmente conhecido como Colégio Marista. A estrutura foi demolida para dar lugar a um novo empreendimento residencial, o Parque Marista, da MRV, cuja entrega está prevista para 2029. O projeto terá três torres e 576 apartamentos no terreno.

A demolição ocorre em uma área que integra o complexo do antigo Colégio Marista Cearense, imóvel de relevância histórica e cultural para Fortaleza e protegido por tombamento, onde hoje funciona uma faculdade privada. A intervenção, portanto, está submetida às regras de proteção patrimonial que definem quais estruturas do conjunto são preservadas e quais podem sofrer alterações.

O Parque Marista representa também a retomada de lançamentos residenciais no coração do Centro de Fortaleza. Segundo levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), trata-se do primeiro lançamento residencial nessa área desde 2008.

Empreendimento terá 576 apartamentos

Demolição de ginásio chama atenção de quem passa na região do Centro.
Legenda: Demolição de ginásio chama atenção de quem passa na região do Centro.
Foto: Kid Jr/SVM.

Responsável pelo projeto, a MRV informa que o Parque Marista terá três torres residenciais. Serão 12 apartamentos por andar, totalizando 576 unidades.

Segundo a empresa, o empreendimento faz parte da estratégia de ampliar a presença em regiões centrais e consolidadas das grandes capitais brasileiras, acompanhando um movimento de reocupação e adensamento dessas áreas.

Conforme a MRV, a localização permite aos futuros moradores acesso a uma região com infraestrutura, comércio, serviços, transporte e oportunidades de trabalho já consolidados. A proposta é aproximar a moradia desses equipamentos e reduzir a necessidade de grandes deslocamentos pela cidade.

A construtora também destaca que os projetos são desenvolvidos considerando as características de cada território, com soluções voltadas à comodidade, conveniência, lazer e convivência.

Ginásio fazia parte do complexo do Marista

Alunos na entrada do Colégio Cearense Sagrado Coração, como era chamado quando foi fundado em 1913.
Legenda: Alunos na entrada do Colégio Cearense Sagrado Coração, como era chamado quando foi fundado em 1913.
Foto: Arquivo Nirez.

Embora o ginásio tenha sido demolido, a intervenção ocorre dentro da área que envolve o conjunto histórico do antigo Colégio Marista, cujo tombamento estabelece diferentes níveis de proteção para as edificações.

O antigo Colégio Cearense do Sagrado Coração foi fundado em 1913 e passou posteriormente à administração dos Irmãos Maristas. O prédio se tornou um dos marcos da educação particular em Fortaleza e acumulou ao longo das décadas diferentes edificações e ampliações.

O tombamento protege o conjunto histórico e estabelece regras para intervenções no imóvel e no entorno. A proteção patrimonial não significa, porém, que todas as estruturas construídas posteriormente tenham necessariamente o mesmo grau de preservação.

Colégio Marista formou gerações da elite intelectual, política e cultural do Ceará.
Legenda: Colégio Marista formou gerações da elite intelectual, política e cultural do Ceará.
Foto: Fabiane de Paula

O ginásio demolido era uma construção posterior ao núcleo histórico do complexo. A estrutura esportiva foi erguida décadas depois da construção original do colégio e não corresponde ao edifício histórico principal protegido pelo tombamento.

Ex-alunos pediram tombamento

Matéria veiculada em outubro de 2013 no Diário do Nordeste.
Legenda: Matéria veiculada em outubro de 2013 no Diário do Nordeste.
Foto: Cedoc SVM.

A discussão sobre a preservação do antigo Marista ganhou força ainda antes do tombamento definitivo.

Em 2013, ex-alunos do colégio chegaram a organizar um movimento para pedir a proteção do prédio histórico, em meio às discussões sobre o futuro do imóvel após o encerramento das atividades educacionais.

Anos depois, o conjunto recebeu proteção por tombamento, consolidando o reconhecimento de seu valor histórico e arquitetônico.

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