O condomínio Jardim Monte Castelo, localizado na divisa entre os bairros São Gerardo e Monte Castelo, em Fortaleza, teve risco de colapso reconhecido após o chão começar a ceder e rachaduras profundas serem registradas. Construção dos anos 1980, o residencial abriga cerca de 300 pessoas em 10 blocos. Obras para reparar os danos estruturais serão iniciadas na próxima quarta-feira (7) para evitar a interdição e evacuação dos moradores.
Uma inquilina, que pediu para não ser identificada, afirmou que, no fim de 2025, o piso de um dos quartos começou a soltar. Depois, percebeu que o chão do apartamento parecia estar afundando. Quando entrou em contato com a imobiliária para pedir a correção dos problemas, começou a entender que a situação era mais antiga.
De acordo com o síndico profissional Anderson Almeida, contratado pelo condomínio no primeiro semestre de 2026, os blocos já haviam recebido uma vistoria da Defesa Civil de Fortaleza (DCFor) em 2025. A gestão anterior foi orientada a realizar reparos imediatos, que não foram feitos.
Em nota, a Defesa Civil afirmou que, ainda em 2025, foram identificadas rachaduras nas paredes, infiltrações e desplacamentos. Já em uma nova vistoria realizada no dia 29 de setembro de 2026, a pedido de moradores, os técnicos do órgão municipal registraram pisos soltos e sinais de afundamento do solo. No entanto, não foi expedida ordem de interdição.
Engenheiro responsável pela obra aponta ‘situação crítica e risco de colapso’
Com a gravidade da situação, que também foi identificada na inspeção predial contratada por Anderson neste ano, o síndico decidiu solicitar um laudo de um engenheiro especializado em recuperação de fundações e estruturas.
Pablo Torres, engenheiro agora responsável pela obra, explica que foram feitos estudos de solo, de recalque e de envelhecimento da estrutura. “Nós percebemos que o condomínio Monte Castelo está em processo de colapso. [...] Que começou a afundar, a inclinar para cair”, explica.
Alguns pontos de atenção foram elencados pelo engenheiro:
- As portas dos halls de entrada dos blocos não fecham mais;
- As janelas de alumínio também não estão mais vedando;
- Alguns pontos da calçada do condomínio têm rachaduras profundas;
- Todos os blocos apresentam rachaduras;
- Alguns apartamentos estão com o piso afundado.
Conversando com proprietários antigos e entendendo o histórico do condomínio por meio de análises técnicas, Pablo atestou que o prédio foi construído em um solo alagadiço e aterrado de maneira inadequada. O empreendimento fica próximo à Lagoa do Alagadiço. O lençol freático estaria apenas a 80 centímetros do piso do prédio.
Por isso, uma das soluções propostas será a injeção de concreto para dar mais resistência ao piso dos blocos.
Segundo o profissional, respostas efetivas para os problemas do residencial não foram adotadas anteriormente, o que contribuiu para a situação crítica atual.
“A Defesa Civil atuou de forma ativa contra o condomínio, no sentido de preservar a segurança dos moradores, e o condomínio nunca respondeu estruturalmente falando de forma efetiva às solicitações. [...] É uma situação bem crítica e que o morador não era para estar fazendo reparo só agora”, diz.
Medidas para evitar a evacuação
Apesar do medo dos moradores de continuar no prédio, nem o engenheiro e nem a Defesa Civil orientaram a interdição e a evacuação das moradias, até o momento. No entanto, a necessidade da medida não é descartada.
“A gente busca evitar a interdição não procrastinando as obras urgentes e adiantando o reforço estrutural. Ainda é possível administrar o risco e executar as obras com o condomínio habitado. Mas, se a gente perceber que a intervenção está se tornando ainda mais perigosa, vamos solicitar a evacuação”, diz Pablo.
Como medidas paliativas antes do início das obras, o engenheiro determinou que as caixas d'água dos blocos tenham o volume reduzido para diminuir o peso na estrutura. Pablo também proibiu obras dentro das unidades. Além disso, teriam sido criados grupos de WhatsApp com os moradores dos blocos mais críticos para comunicação de problemas 24 horas.
Mesmo sem a orientação técnica formal, o síndico afirmou que pelo menos cinco mudanças de moradores ocorreram depois da assembleia que informou os riscos das estruturas.