Uma discussão entre um entregador de aplicativo e uma cliente terminou em um protesto com 'buzinaço', fogos de artifício e a derrubada do portão de um condomínio. O caso aconteceu no bairro Jóquei Clube, em Fortaleza, na noite dessa quarta-feira (5).
Tudo começou após o motociclista Lucas Moura de Sousa Silva publicar um vídeo nas redes sociais em que relata ter tido a mochila de entregas danificada e o pedido retirado à força por uma cliente.
Ao Diário do Nordeste, o entregador relatou que, ao chegar ao local com a encomenda, foi recebido pela filha da cliente. Ela informou o código de retirada solicitado pela plataforma, mas ele notou que os números eram incorretos.
"Falei para ela: 'Moça, eu não posso entregar o pedido porque o código tá incorreto, senão eu não vou ganhar minha taxa. Tenho que devolver para a loja". Então ela respondeu que ia chamar a mãe", relatou Lucas.
Minutos depois, conforme o relato de Lucas, a mãe da jovem desceu até a portaria e teria agido com grosseria após ele reforçar que não poderia entregar o pedido, pois o código informado ainda não havia sido aceito.
"Ela já chegou alterada, falando grosso comigo, sem eu ter feito nada. Daí peguei o pedido, botei dentro da bag, mas ela veio, quebrou a minha bag, pegou o pedido e eu fiquei sem poder fazer nada", alegou.
Cliente nega as acusações
A reportagem entrou em contato com a condômina, que não quis se identificar, para mais informações sobre o ocorrido. No relato, ela ressaltou que não danificou a mochila de propósito e afirma se arrepender da discussão.
Conforme a cliente, o pedido foi encerrado por ela, antes mesmo de descer para buscá-lo, pois já estava pago. Porém, ao chegar à portaria, encontrou resistência por parte dele, que insistia em solicitar o código de entrega.
"Não sei se o celular dele estava com problemas, mas o status do pedido era de concluído. Tinha ficado com fome até aquela hora, porque tinha ficado muito tempo sem comer. Retirei o produto de cima da mochila, mas ela acabou partindo", disse.
Sobre a bag quebrada, ela narrou: "Quando fui pegar, ele tava sentado assim num banquinho e a bag tava na frente dele, quando fui pegar, a parte de cima deslocou, ela é muito frágil e ela quebrou a parte de cima. Aí ele 'e como é que eu fico? Eu vou ficar no prejuízo'. Olha, o problema, infelizmente, não é meu, é da plataforma, você se entende aí com a plataforma, porque eu não tenho o problema em relação a isso. O problema não é meu".
Parte da ação foi gravada por Lucas e posteriormente publicada por ele em um grupo de conversa com outros entregadores de aplicativo. Minutos depois, o vídeo já havia tomado outras proporções e resultou em um protesto de entregadores na entrada do condomínio.
Gravações obtidas pela reportagem mostram os entregadores buzinando e soltando fogos de artifício por cima do muro. Em certo momento, eles chegam a derrubar o portão de entrada e saída de veículos.
O que disse o iFood
Em nota, o iFood disse não tolerar qualquer tipo de violência, ofensa, agressão, preconceito ou assédio envolvendo entregadores, clientes ou restaurantes parceiros.
"A empresa possui uma Política de Combate à Discriminação e à Violência, com diretrizes para promover um ambiente seguro e respeitoso. Em caso de descumprimento das regras, podem ser aplicadas medidas que vão de orientações e treinamentos até a desativação da conta, conforme a gravidade", afirmou a plataforma.
Ainda de acordo com o iFood, o caso está sendo apurado internamente para a adoção das medidas cabíveis.
Polícia investiga
Procurada, a Polícia Civil do Ceará (PCCE) informou, por meio da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que investiga denúncias de crimes de dano e ameaça registrados no bairro Jóquei Clube.
"Os fatos foram comunicados por meio de Boletins de Ocorrência (B.O), registrados na 5ª Delegacia de Polícia Civil da Capital. Oitivas e diligências estão em andamento para elucidar os fatos denunciados", disse a Pasta em nota.