Importante para a proteção dos animais e da saúde da comunidade, a cobertura da vacina antirrábica ainda não atingiu a meta estabelecida para 2026. Até o início de setembro, cerca de 258 mil cães e gatos foram vacinados com o imunizante — quase metade do objetivo da Secretaria Municipal de Fortaleza, que é imunizar 560 mil até o dia 31 de dezembro.
As informações foram dadas pela secretária da Saúde de Fortaleza, Riane Azevedo, em entrevista ao Diário do Nordeste. Conforme a gestora, a campanha de vacinação teve seu início antecipado neste ano devido ao aumento da detecção de morcegos com vírus da raiva na cidade.
“O morcego é um animal silvestre, que não é domesticado, mas pode contaminar outros animais e propagar a doença. Para o ser humano, a raiva é 100% letal, não existe cura nem tratamento. A única forma de proteção é a vacinação dos nossos animais”, afirma.
Raiva animal no Ceará
Conforme o Ministério da Saúde (MS), a raiva em cães e gatos era causada pelas variantes caninas clássicas do vírus (AgV1 e AgV2). No entanto, esses casos foram reduzidos como resultado das campanhas de vacinação em massa e do fortalecimento da vigilância epidemiológica.
Apesar de a circulação dessas variantes em cães e gatos encontrar-se sob controle no país, os animais continuam suscetíveis à infecção por variantes silvestres do vírus da raiva.
Até o mês de setembro de 2026, o Ceará já registrou 112 casos positivos de raiva animal, sendo 105 em morcegos não hematófagos (que não se alimentam de sangue).
O Estado é o primeiro do país em registros neste ano, superando São Paulo (81) e Bahia (43). Os dados são do Painel Raiva Animal, do MS, e foram levantados pelo Diário do Nordeste.
Como a raiva é transmitida?
A raiva é uma doença grave que pode ser transmitida aos seres humanos por meio de mordidas, arranhões ou contato com saliva de animais infectados. Por isso, a população é orientada a não tocar em morcegos ou outros silvestres.
Em caso de contato, o ferimento deve ser lavado imediatamente com água e sabão por, pelo menos, 15 minutos. Após isso, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para avaliação e possível aplicação da profilaxia antirrábica.
No caso de morcegos encontrados mortos, caídos ou com comportamento anormal em Fortaleza, a recomendação é comunicar a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) pelo telefone (85) 98938-7677.
“É muito importante que seja dado esse reforço na vacina antirrábica. Às vezes, a pessoa diz assim: ‘eu vacinei meu animalzinho em novembro do ano passado, só vou vacinar agora em novembro’. Não tem problema, você pode antecipar um ou dois meses porque ajuda a completar os indicadores e dar uma maior proteção ao seu animal”, reforça Azevedo.
Raiva humana
Há 23 anos, Fortaleza não registra casos de raiva humana. A última ocorrência no Ceará foi em 2025, quando uma moradora de Jucás foi diagnosticada após ser mordida por um sagui — ou "soim", como popularmente é conhecido. Foi o quinto caso que se tem registro da doença em 17 anos.
Nos humanos, o sintoma típico da doença é a dificuldade em ingerir água, chamada de hidrofobia, bem como alterações no sistema nervoso.
Histórico de casos no Ceará, conforme boletim epidemiológico da Sesa:
- 2008: 1 caso em Camocim (sagui)
- 2010: 2 casos, sendo 1 em Chaval (cão) e 1 em Ipu (sagui)
- 2012: 1 caso em Jati (sagui)
- 2016: 1 caso em Iracema (morcego)
- 2023: 1 caso em Cariús (sagui)
- 2025: 1 caso em Jucás (sagui)
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A vacinação contra raiva deve ser feita anualmente em todos os animais. Não devem receber o imunizante aqueles com menos de três meses, em gestação ou com sintomatologia de alguma doença ou em período de recuperação.
A SMS possui nove pontos permanentes de oferta de vacina antirrábica em Fortaleza. São oitos boxes de zoonoses, que funcionam de segunda a sexta-feira das 8h às 17h, e o Centro de Controle de Zoonoses, que atende diariamente e aos fins de semana no mesmo horário.
Confira os endereços:
- UVZ Aída Santos: Rua Trajano de Medeiros, 813 – Vicente Pinzon;
- UVZ José Walter: Avenida D, 300 – 2ª Etapa, Prefeito José Walter;
- UVZ João Medeiros: Avenida I, 982 – Vila Velha;
- UVZ Paulo Marcelo: Rua 25 de Março, 607 – Centro;
- UVZ Rigoberto Romero: Alameda das Gaivotas, 195 – Cidade 2000;
- UVZ Messejana: Rua Coronel Dionísio Alencar, 264 – Messejana;
- UVZ Maciel de Brito: R. 602, 2 - 1a. etapa – Conjunto Ceará I;
- UVZ Autran Nunes: Avenida da Liberdade, 65 – Autran Nunes;
- Centro de Controle de Zoonoses: Rua dos Betel, 2980 – Rachel de Queiroz.