Vacina antirrábica só atingiu metade da meta em Fortaleza; veja como imunizar pets

Campanha contra a raiva teve seu início antecipado na Capital.

Escrito por Clarice Nascimento clarice.nascimento@svm.com.br
11 de Setembro de 2026 - 08:00
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Legenda: Público-alvo são cães e gatos acima de três meses de vida.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Fortaleza.

Importante para a proteção dos animais e da saúde da comunidade, a cobertura da vacina antirrábica ainda não atingiu a meta estabelecida para 2026. Até o início de setembro, cerca de 258 mil cães e gatos foram vacinados com o imunizante — quase metade do objetivo da Secretaria Municipal de Fortaleza, que é imunizar 560 mil até o dia 31 de dezembro.

As informações foram dadas pela secretária da Saúde de Fortaleza, Riane Azevedo, em entrevista ao Diário do Nordeste. Conforme a gestora, a campanha de vacinação teve seu início antecipado neste ano devido ao aumento da detecção de morcegos com vírus da raiva na cidade

“O morcego é um animal silvestre, que não é domesticado, mas pode contaminar outros animais e propagar a doença. Para o ser humano, a raiva é 100% letal, não existe cura nem tratamento. A única forma de proteção é a vacinação dos nossos animais”, afirma. 

Raiva animal no Ceará

Conforme o Ministério da Saúde (MS), a raiva em cães e gatos era causada pelas variantes caninas clássicas do vírus (AgV1 e AgV2). No entanto, esses casos foram reduzidos como resultado das campanhas de vacinação em massa e do fortalecimento da vigilância epidemiológica. 

Apesar de a circulação dessas variantes em cães e gatos encontrar-se sob controle no país, os animais continuam suscetíveis à infecção por variantes silvestres do vírus da raiva. 

Até o mês de setembro de 2026, o Ceará já registrou 112 casos positivos de raiva animal, sendo 105 em morcegos não hematófagos (que não se alimentam de sangue).

O Estado é o primeiro do país em registros neste ano, superando São Paulo (81) e Bahia (43). Os dados são do Painel Raiva Animal, do MS, e foram levantados pelo Diário do Nordeste

Como a raiva é transmitida?

A raiva é uma doença grave que pode ser transmitida aos seres humanos por meio de mordidas, arranhões ou contato com saliva de animais infectados. Por isso, a população é orientada a não tocar em morcegos ou outros silvestres

Em caso de contato, o ferimento deve ser lavado imediatamente com água e sabão por, pelo menos, 15 minutos. Após isso, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para avaliação e possível aplicação da profilaxia antirrábica.

No caso de morcegos encontrados mortos, caídos ou com comportamento anormal em Fortaleza, a recomendação é comunicar a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) pelo telefone (85) 98938-7677. 

“É muito importante que seja dado esse reforço na vacina antirrábica. Às vezes, a pessoa diz assim: ‘eu vacinei meu animalzinho em novembro do ano passado, só vou vacinar agora em novembro’. Não tem problema, você pode antecipar um ou dois meses porque ajuda a completar os indicadores e dar uma maior proteção ao seu animal”, reforça Azevedo.

Raiva humana

Há 23 anos, Fortaleza não registra casos de raiva humana. A última ocorrência no Ceará foi em 2025, quando uma moradora de Jucás foi diagnosticada após ser mordida por um sagui — ou "soim", como popularmente é conhecido. Foi o quinto caso que se tem registro da doença em 17 anos. 

Nos humanos, o sintoma típico da doença é a dificuldade em ingerir água, chamada de hidrofobia, bem como alterações no sistema nervoso.

No Ceará, o Hospital São José (HSJ) é referência em infectologia.
Legenda: No Ceará, o Hospital São José (HSJ) é referência em infectologia.
Foto: Divulgação/Governo do Ceará.

Histórico de casos no Ceará, conforme boletim epidemiológico da Sesa:

  • 2008: 1 caso em Camocim (sagui)
  • 2010: 2 casos, sendo 1 em Chaval (cão) e 1 em Ipu (sagui)
  • 2012: 1 caso em Jati (sagui)
  • 2016: 1 caso em Iracema (morcego)
  • 2023: 1 caso em Cariús (sagui)
  • 2025: 1 caso em Jucás (sagui)

Veja onde vacinar seu pet gratuitamente

A vacinação contra raiva deve ser feita anualmente em todos os animais. Não devem receber o imunizante aqueles com menos de três meses, em gestação ou com sintomatologia de alguma doença ou em período de recuperação.

A SMS possui nove pontos permanentes de oferta de vacina antirrábica em Fortaleza. São oitos boxes de zoonoses, que funcionam de segunda a sexta-feira das 8h às 17h, e o Centro de Controle de Zoonoses, que atende diariamente e aos fins de semana no mesmo horário.

Confira os endereços:

  • UVZ Aída Santos: Rua Trajano de Medeiros, 813 – Vicente Pinzon;
  • UVZ José Walter: Avenida D, 300 – 2ª Etapa, Prefeito José Walter;
  • UVZ João Medeiros: Avenida I, 982 – Vila Velha;
  • UVZ Paulo Marcelo: Rua 25 de Março, 607 – Centro;
  • UVZ Rigoberto Romero: Alameda das Gaivotas, 195 – Cidade 2000;
  • UVZ Messejana: Rua Coronel Dionísio Alencar, 264 – Messejana;
  • UVZ Maciel de Brito: R. 602, 2 - 1a. etapa – Conjunto Ceará I;
  • UVZ Autran Nunes: Avenida da Liberdade, 65 – Autran Nunes;
  • Centro de Controle de Zoonoses: Rua dos Betel, 2980 – Rachel de Queiroz.
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