Um recrutador de modelos francês, investigado por ligações com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, foi encontrado morto na casa onde morava, em Colombes, nos arredores de Paris, na França.
A informação foi divulgada pelo jornal Le Parisien nesta quarta-feira (22). Daniel Siad tinha 69 anos e era investigado pela Justiça francesa após várias denúncias de mulheres, especialmente por estupro.
Ele negava as acusações e afirmava que queria ser interrogado para apresentar sua versão dos fatos.
Na última segunda-feira (20), quando o corpo de Siad foi achado, o Poder Judiciário do país abriu "uma investigação para determinar as causas da morte".
"Morreu e era inocente", declarou à AFP sua advogada Menya Arab-Tigrine. De acordo com ela, "se ele morreu de um infarto, essa espera [judicial] insuportável, a pressão e a angústia com as quais vivia diariamente devem ter tido alguma influência".
Entenda as denúncias contra Siad
A primeira denúncia foi apresentada em fevereiro pela ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson. A mulher não conhecia a identidade dele antes de reconhecê-lo nos arquivos desclassificados relacionados a Epstein, nos quais Daniel Siad é mencionado em mais de mil documentos.
Karlsson acusa Siad de tê-la estuprado quando ela tinha 20 anos e, em seguida, de tê-la explorado sexualmente, apresentando-a a Gérald Marie, antigo diretor da prestigiosa agência de modelos Elite, a quem ela também acusava de tê-la estuprado. Ambos negaram as acusações.
"Estou chocada", disse Karlsson à AFP. "Daniel Siad estava prestes a ser detido. Trabalhamos tão duro para obter justiça e agora... É muito frustrante", acrescentou.
"Todas nós tínhamos medo de que o matassem para impedi-lo de falar sobre os outros criminosos... Espero que seja realizada uma investigação minuciosa sobre as circunstâncias de sua morte", afirmou.
Caso Epstein já levou poderosos à prisão
Desde o início da divulgação dos arquivos do caso Epstein, figuras poderosas têm sido afetadas.
Entre eles, o ex-príncipe Andrew, preso por uma investigação ligada aos crimes do financista.
O ex-embaixador Peter Mandelson, que representava o Reino Unido nos EUA, também foi alvo de prisão.
Antes, ele já havia renunciado ao posto do Partido Trabalhista e ao mandato no Parlamento britânico.