Presidente do Paraguai pode sofrer impeachment? Entenda crise política do governo

Congresso do país rejeitou renúncia de Santiago Peña e retoma julgamento de destituição do líder do executivo nesta sexta (6).

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
06 de Novembro de 2026 - 07:51
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Legenda: Crise financeira e política no Paraguai levou milhares de manifestantes às ruas pedindo o impeachment do presidente Santiago Peña.
Foto: Daniel Duarte / AFP.

O processo de impeachment do presidente paraguaio Santiago Peña será retomado na manhã desta sexta-feira (6), em meio à crise bancária que congelou as contas de milhões de clientes e o levou a apresentar renúncia ao cargo na quinta (5).

Os deputados paraguaios, no entanto, rejeitaram a carta de renúncia apresentada por ele no mesmo dia. No país, o Congresso deve aceitar ou rejeitar a abdicação do cargo do presidente e do vice. Por isso, ele permanece provisoriamente na presidência.

Os problemas financeiros no Paraguai começaram após o colapso do Ueno Bank, principal banco digital do Paraguai e um dos maiores do país. Peña, economista antes de assumir como presidente em 2023, era acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025. 

Entenda renúncia de Santiago Peña

Na quarta (4), o Congresso paraguaio havia instaurado um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. No início da tarde da quinta (5), ele anunciou a renúncia do cargo.

"Tomei a decisão de apresentar minha renúncia (...) Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei", disse Peña em um vídeo publicado nas redes sociais. Pouco depois, os deputados aprovaram a abertura do julgamento de destituição do presidente.

Votações sobre a renúncia do gestor não foram realizadas por falta de quórum, mas depois a Câmara de Deputados do Paraguai aprovou, na própria quinta (5), a continuidade do processo de impeachment de Peña e a rejeição à carta de renúncia apresentada por ele. 

A Constituição Paraguaia prevê que, após a gestão, o presidente ganhe um cargo vitalício de senador no qual não pode votar, mas tem garantidas a imunidade parlamentar e o foro privilegiado. 

Como o cargo de senador vitalício é cancelado em caso do presidente sofrer impeachment, a renúncia de Peña foi vista como uma tentativa de manter os benefícios do cargo.

Julgamento do impeachment 

Após a definição da rejeição da renúncia e a confirmação do processo de impeachment, o Senado do Paraguai vai retomar o julgamento a partir das 10 horas desta sexta (6). 

A sessão prevê a apresentação da defesa de Peña. Na rede social X, o presidente informou que comparecerá ao Senado para exercer o "direito de defesa".

No total, o processo de impeachment no Paraguai prevê cinco fases. A que ocorre nesta manhã será a segunda. Não há previsão de concluir o julgamento completamente no mesmo dia. 

Na fase de votação, é preciso que pelo menos 30 dos 45 integrantes do Senado paraguaio sejam favoráveis ao impedimento de Peña para ele ser condenado. Se isso ocorrer, ele perde o mandato e o direito ao cargo de senador vitalício. 

Neste caso, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá oficialmente a Presidência do País, com mandato até agosto de 2028. Se o impeachment não passar, Peña segue no cargo.

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