Entenda crise em banco no Paraguai que levou à renúncia de presidente Afonso Peña

Ueno Bank, alvo de denúncias do Banco Central paraguaio, possuía mais de três milhões de clientes.

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
05 de Novembro de 2026 - 15:36 (Atualizado às 16:14)
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Legenda: Paraguaios foram às ruas para protestar contra a situação envolvendo o Ueno Bank no país.
Foto: DANIEL DUARTE / AFP.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise política ocasionada pela intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank. 

O caso ganhou repercussão após a identificação de problemas de solvência na instituição, que tinha cerca de três milhões de clientes, e levantou questionamentos sobre operações financeiras, além de possíveis conflitos de interesse envolvendo autoridades paraguaias.

Desde o último dia 3 de novembro, data em que o banco foi liquidado, os clientes da instituição tiveram as contas bancárias congeladas.

Diversos manifestantes voltaram a protestar em Assunção ainda nesta quinta-feira (5), pedindo a devolução do dinheiro e o julgamento do presidente.

Entenda a crise no Paraguai

A crise começou quando o Banco Central do Paraguai identificou que o Ueno Bank não cumpria os índices mínimos de capital exigidos pela legislação. Por conta disso, a autoridade monetária determinou a intervenção na instituição, deixando temporariamente os clientes sem acesso aos recursos depositados.

Enquanto isso, o problema financeiro ainda ganhou dimensão política devido às ligações entre o banco e integrantes do governo. 

Peña foi acionista da Ueno Holding, grupo relacionado à instituição, até março de 2025. Outro nome que entrou no centro dos questionamentos foi Carlos Carvallo, que presidiu o Ueno Bank antes de assumir o comando do Banco Central paraguaio, em 2023.

No documento em que a oposição solicita a abertura de um processo de impeachment do presidente, que foi apresentado à Câmara dos Deputados, há a citação do "mau desempenho das funções" de Peña no exercício do cargo.

Entre as acusações, o mesmo documento cita "conflito de interesses", além de questionamentos sobre o aumento patrimonial do político.

Integrantes da direção do Banco Central também deixaram os cargos em meio à repercussão, enquanto o governo anunciou medidas para garantir a devolução dos depósitos aos clientes, por meio do Fundo de Garantia de Depósitos.

A norma do governo paraguaio estabelece que os pagamentos sejam realizados nos próximos cinco dias.

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