Vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana deve assumir a Presidência do País após a renúncia do presidente Santiago Peña, nesta quinta-feira (5) em meio à crise do Ueno Bank.
Integrante do Partido Colorado, o parlamentar tornou-se vice-presidente em agosto de 2023, com a vitória da chapa encabeçada por Peña, envolvido no escândalo financeiro que o levou a deixar o cargo.
Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez tem 52 anos e iniciou a vida pública em 2006, quando se candidatou a prefeito de Pilar, sua cidade natal, mas foi derrotado as urnas.
Ele só conseguiu emplacar na política dois anos depois, ao ganhar a eleição para governador do departamento de Ñeembucú, no sul do Paraguai, onde permaneceu até 2012.
Já em 2013, foi eleito deputado nacional pelo mesmo departamento. Passou dez anos na Câmara dos Deputados até chegar à presidência da Casa (2019-2022).
Em abril de 2023, candidatou-se a vice-presidente pela chapa do Partido Colorado ao lado de Santiago Peña. A dupla venceu a disputa presidencial e assumiu o país em 15 de agosto do mesmo ano.
Pedro Alliana é casado com Fabiana María Souto desde 2006. Ela também atua na vida pública, como deputada nacional por Ñeembucú e integrante do Partido Colorado. O casal tem quatro filhos.
Entenda crise bancária no Paraguai
Mais de 3 milhões de pessoas tiveram as contas bancárias congeladas e diversos manifestantes voltaram a protestar em Assunção, pedindo a devolução do dinheiro e o julgamento do presidente.
Longas filas também foram registradas em frente a agências do Ueno Bank nesta quinta-feira (5), com clientes tentando sacar valores.
"É o dinheiro da nossa aposentadoria, que agora não sabemos se vamos receber", disse a médica Teresa Montiel à AFP. "Perdi todas as economias da minha vida, só tenho 8 mil guaranis (cerca de R$ 7). Todos têm que ser presos", afirmou Marcelino Vergara, de 68 anos.
O Banco Central do Paraguai (BCP) decidiu intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital, suspendendo os serviços da instituição. O escândalo financeiro também resultou na renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo.
Santiago Peña, que assumiu o cargo em 2023 para um mandato até 2028, tinha ações de um grupo que controlava o Ueno Bank. O ex-presidente, no entanto, se desvinculou do grupo em 2025.
No documento que solicita a abertura de um processo de impeachment, apresentado à Câmara dos Deputados, expõe o "mau desempenho de suas funções no exercício do cargo". Entre as acusações contra Peña está a de "conflito de interesses", além de questionamentos sobre o aumento do seu patrimônio.
O governo anunciou que vai devolver parte dos depósitos das pessoas afetadas.
A oposição acusa Peña de tomar "decisões regulatórias supostamente favoráveis ao Ueno Bank" e de concentrar recursos previdenciários na instituição.