Ex-presidente do Paraguai é preso após sofrer impeachment

O Congresso paraguaio já havia feito um pedido de impeachment contra o parlamentar na quarta-feira (4).

Escrito por Redação e AFP
06 de Novembro de 2026 - 21:18 (Atualizado às 21:28)
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Legenda: Santiago Peña renunciou ao cargo na quinta-feira (5) em meio à crise do Ueno Bank.
Foto: FEDERICO PARRA / AFP.

O ex-presidente paraguaio Santiago Peña foi detido nesta sexta-feira (6) em sua casa, em Assunção, minutos após ter sido destituído em um processo de impeachment iniciado em razão de uma crise bancária que congelou os depósitos da metade da população, informou a Promotoria.

"Ele permanecerá em condição de detido em seu domicílio", disse à imprensa a promotora Silvia Margarita González Vester. Peña será conduzido à Promotoria no sábado (7), às 11h (mesma hora em Brasília), onde será interrogado pelos supostos crimes de violação de confiança, tráfico de influência e gestão em proveito próprio.

renúncia EM MEIO A CRISE

Santiago Peña renunciou ao cargo na quinta-feira (5) em meio à crise do Ueno Bank, um dos maiores bancos do país. O Congresso paraguaio já havia feito um pedido de impeachment contra o parlamentar na quarta-feira (4).

"Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (...). Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei", disse Peña, destacando que sua prioridade é "a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro", anunciou ele em um vídeo no X.

Crise bancária

Mais de 3 milhões de pessoas tiveram as contas bancárias congeladas e diversos manifestantes voltaram a protestar em Assunção, pedindo a devolução do dinheiro e o julgamento do presidente.

Longas filas também foram registradas em frente a agências do Ueno Bank na quinta, com clientes tentando sacar valores.

"É o dinheiro da nossa aposentadoria, que agora não sabemos se vamos receber", disse a médica Teresa Montiel à AFP. "Perdi todas as economias da minha vida, só tenho 8 mil guaranis (cerca de R$ 7). Todos têm que ser presos", afirmou Marcelino Vergara, de 68 anos.

O Banco Central do Paraguai (BCP) decidiu intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital, suspendendo os serviços da instituição. O escândalo financeiro resultou na renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo.