A República Democrática do Congo (RDC) enfrenta uma nova epidemia de ebola, que em três meses já se tornou a mais mortal do país. A série especial do Fantástico, com Sonia Bridi, mostra os esforços no combate à doença, responsável por quase 4 mil mortes desde maio.
Esse surto já se espalhou por sete províncias, com aumento no número de infectados a cada dia. Até dia 31 de agosto, mais de 6 mil casos tinham sido registrados. Esse número supera o surto que atingiu o leste congolês entre 2018 e 2020.
Na produção da TV Globo, Sonia e Paulo Zero, embarcaram em um avião da Organização das Nações Unidas (ONU) para acompanhar os atendimentos realizados no Centro de Tratamento de Ebola dos Médicos Sem Fronteiras (MSF).
Atendimento de emergência
Nesses centros, os profissionais entram utilizando diversos equipamentos de segurança, como:
- Macacão;
- Luvas;
- Máscaras;
- Gorro;
- Proteção para rosto.
Isso evita a contaminação com o paciente, uma vez que o vírus é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais.
Ao Fantástico, o pediatra do MSF, Mathias Vermaelen, comentou que trabalha há duas semanas no Centro. "A gente trabalha seis em sete dias, mais ou menos. É muito intenso", disse.
Mesmo em meio aos esforços para combater a doença, a falta de informação dificulta os atendimentos. Parte dos pacientes tem medo de ir aos centros, devido aos falsos boatos de que as pessoas estavam sendo mortas nos hospitais.
Cenário da epidemia de ebola
Até o começo de setembro, a epidemia de ebola no país tinha provocado mais de 3 mil mortes. Ela foi declarada oficialmente em maio, e afeta principalmente as zonas de conflito no leste e nordeste do país.
Foram contabilizados cerca de 1.409 casos de recuperação, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Pública congolês (INSP).
Nos últimos 50 anos, o ebola provocou mais de 15 mil mortes na África. A pior epidemia registrada até então na RDC deixou quase 2,3 mil mortos entre os 3,5 mil infectados registrados entre 2018 e 2020.
Cepa que não possui vacinas
A atual epidemia, que começou na província de Ituri, é causada pela cepa Bundibugyo, contra a qual não existem vacinas nem tratamentos homologados.
O vírus se propagou por seis províncias e afeta áreas em que a presença do Estado é frágil, com forte atuação de grupos armados.
Vários tratamentos e vacinas estão em fase de testes contra a variante Bundibugyo do vírus. As vacinas homologadas são eficazes apenas contra o vírus do Zaire, responsável pelas maiores epidemias de ebola conhecidas até hoje.
O que é o Ebola?
A Doença pelo Vírus Ebola (DVE) é uma zoonose cujo morcego é o reservatório mais provável. Quatro dos cinco subtipos, incluindo o vírus Bundibugyo, ocorrem em hospedeiro animal nativo da África.
Os primeiros surtos ocorreram próximo ao Rio Ebola, mesmo nome dado ao vírus.
Acredita-se que o vírus foi transmitido para seres humanos a partir de contato com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados, como chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinhos.
Sintomas do Ebola
Em humanos, a infecção pelo vírus Ebola ocasiona sintomas como:
- Febre;
- Cefaleia;
- Fraqueza;
- Diarreia;
- Vômitos;
- Dor abdominal;
- Manifestações hemorrágicas.
O período de incubação da doença pode variar de 2 a 21 dias. Geralmente, o período mediano é de 5 a 10 dias.
A confirmação de casos é feita por exames laboratoriais específicos.