A pedido de Trump, 14 países da América Latina anunciam sanções contra PCC, CV e outros grupos

Brasil não sabia da medida.

Escrito por Redação e AFP
23 de Setembro de 2026 - 17:18 (Atualizado às 17:18)
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Legenda: Os 24 grupos afetados já foram sancionados por Washington anteriormente.
Foto: CHARLY TRIBALLEAU / AFP.

A pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, 14 países da América Latina, membros do Escudo das Américas, firmaram um acordo, nessa terça-feira (22), para classificar facções narcotraficantes como "ameaças compartilhadas" e torná-las alvo de sanções. A lista é formada por 24 grupos criminosos, entres eles as organizações brasileiras PCC e CV.

A medida pegou o governo do Brasil de surpresa, conforme a colunista Mariana Sanches do portal Uol. Para um embaixador brasileiro, ouvido pela jornalista, a ação seria uma nova tentativa de intromissão política americana no País, que se prepara para realizar eleições gerais no próximo dia 4 de outubro.

O Escudo das Américas foi fundado em março, por iniciativa do presidente Donald Trump, e reúne seus aliados conservadores.

O acordo foi divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA em conjunto com os países vizinhos: Argentina, Colômbia, Bolívia, Paraguai, Peru e Guiana; além de Equador, Chile, República Dominicana, El Salvador, Honduras, Panamá e Trinidad e Tobago.

"Reconhecendo que uma ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério é aquela representada por organizações narcoterroristas transnacionais [...], anunciamos hoje a primeira ação conjunta no âmbito de nossos pilares recém-anunciados: ação individual e coletiva para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo", diz o texto, conforme o portal g1.

O documento prevê ações como congelamento de bens, restrições de imigração e de vistos e responsabilização criminal de pessoas que forneçam apoio material às organizações, segundo detalha o jornal Metrópoles.

O que pode mudar com a medida?

Os Estados Unidos dispõem há décadas de instrumentos para sancionar grupos armados, empresários e figuras políticas que consideram inimigos. Porém, esta é a primeira vez que busca ampliar esse sistema aos países que assinam o comunicado, que representam quase metade da América Latina e do Caribe.

Os 24 grupos afetados já foram sancionados por Washington, desde a Mara Salvatrucha, de El Salvador, ao Tren de Aragua, da Venezuela. Também estão incluídos os principais cartéis mexicanos, bem como grupos armados de Brasil, Colômbia e Peru.

"Para facilitar esses objetivos", será feita uma solicitação formal ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) para ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), de 1947, declararam os signatários do documento. Criado no início da Guerra Fria, para combater o comunismo, o Tiar permite a criação de um órgão consultivo para coordenar a resposta.

Trump afirmou nessa terça-feira, na Assembleia Geral da ONU, que "os Estados Unidos não permitirão mais que as ameaças contra a América ganhem terreno em nenhum lugar do hemisfério ocidental". "Caso necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual."

Por meio de drones e ataques aéreos, o Pentágono realiza há um ano uma campanha sem precedentes contra supostas lanchas ligadas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico, que já deixou mais de 200 mortos.

A cooperação transfronteiriça aumentou nos últimos meses. Equador e Colômbia protagonizam missões conjuntas, e as deportações de supostos criminosos entre países vizinhos também crescem.

O comunicado ressalta que cada país deverá aplicar o arsenal de sanções e medidas retaliatórias "de acordo com a sua legislação". Outro obstáculo é o recurso ao Tiar, instrumento de segurança regional anterior ao Escudo e vinculado à OEA, onde países como Brasil e México costumam se opor às iniciativas de Washington.