Infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca são uns dos problemas cardiovasculares mais conhecidos. Mas, além deles, há um uma condição pouco conhecida, a bradicardia sinusal.
Não é possível ter um número exato da quantidade de pessoas que sofrem com bradicardia sinusal no mundo, já que a maioria dos casos é assintomático e pode ser considerada uma variação normal.
Para entender a condição e quais suas implicações na saúde do coração e do corpo, o Diário do Nordeste conversou com Evilásio Leobino, médico cardiologista e arritmologista, coordenador do serviço de Eletrofisiologia do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes.
O que é bradicardia sinusal?
Para começar a entender o que é bradicardia sinusal é importante saber o que são arritmias cardíacas. Esses movimentos são as alterações do ritmo do coração. Conforme o especialista, ele pode bater rápido demais, devagar demais ou de forma irregular.
O coração tem um sistema elétrico próprio que dá comando para cada batimento. Quando esse comando falha ou sai do compasso surge a arritmia. Muitas delas são inofensivas, outras nem tanto. Essas são as que precisam de tratamento.
É aí que entra a bradicardia sinusal. Ela acontece quando o “marca-passo natural do coração, que se chama nó sinusal, funciona com o ritmo mais lento, o compasso é regular, só que mais devagar”, explica Evilásio.
Em resumo, bradicardia é o batimento cardíaco mais lento do que o normal. Já a bradicardia sinusal é o batimento normal, organizado, mas em uma frequência reduzida.
Qual é a frequência cardíaca normal?
A frequência cardíaca é o número de batimentos do coração por minuto (bpm) e indica como o corpo funciona em repouso ou durante esforços.
Em repouso, a frequência cardíaca normal em adulto varia entre 50 e 100 batimentos por minuto. Atletas podem apresentar valores abaixo de 50 bpm, já que possuem o músculo cardíaco mais forte e eficiente.
OUTROS NÚMEROS:
- Idosos: Entre 55 e 90 bpm.
- Crianças (1 a 10 anos): Entre 70 e 120 bpm.
- Recém-nascidos: Entre 100 e 160 bpm.
Quantos batimentos por minuto é considerado bradicardia?
“Abaixo de 50 batimentos por minuto”, responde diretamente o médico cardiologista e arritmologista.
Batimentos abaixo de 50 ou 60 são perigosos?
“Não necessariamente. O número sozinho não diz tudo. Muita gente saudável vive com frequências inferiores a 50 batimentos por minuto. O que importa é se existe sintomas e qual a causa desses sintomas”, salienta o especialista.
Quais são os sintomas da bradicardia?
- Cansaço fácil;
- Tontura;
- Fraqueza;
- Falta de ar relacionadas aos aos esforços;
- Sensação de cabeça leve;
- Confusão mental.
“Em casos mais agressivos, ou seja, mais extremos, pode dar dor no peito e também desmaio. Mas em muitas situações as pessoas são assintomáticas, mesmo durante uma bradicardia”, explica Evilásio Leobino.
Bradicardia sinusal é perigosa?
Na maioria das vezes, não. Quando não causa sintomas e quando ocorrem pessoas saudáveis, costuma ser apenas uma variação da normalidade.
Quando a bradicardia é preocupante?
“Quando vem acompanhada de sintomas que a gente já comentou anteriormente, tontura, desmaio, falta de criar cansaços desproporcional ao nível de atividade física realizada”, explica o médico.
Quando a frequência cardíaca é muito baixa, ou seja, abaixo de 40 batimentos por minuto, ou quando há outra doença cardíaca associada. Também preocupa se apareceu de repente ou depois de uma medicação nova que foi introduzida.
O que causa a doença?
As principais causas causas são:
- O envelhecimento do sistema de condução, isso é o mais comum;
- A utilização de algumas medicações que influenciam no sistema de condução;
- Hipotiroidismo, que é uma doença da tireoide que deixa tireoide preguiçosa para trabalhar;
- As alterações de algumas substâncias que tem alguns componentes que tem dentro do corpo humano, tipo potássio e alguns outros sais no sangue;
- Doenças do coração como infarto, miocardite;
- Doenças degenerativas;
- Apneia do sono;
- Aumento da pressão intracraniana;
- Doenças de chagas que é uma coisa uma causa bem importante aqui no Brasil.
Bradicardia durante o sono é normal?
“Sim. Durante o sono o corpo desacelera. O coração é igual a uma máquina e precisa descansar para se recuperar. Então, como o coração a gente não desliga, então ele diminui a sua o seu trabalho durante o período do sono. Ele não precisa bater tanto porque o nosso metabolismo diminui”, expõe o especialista.
Bradicardia em atletas é normal?
Evilásio Leobino salienta que atletas podem ter frequência cardíaca de 40 a 60 de 40 a 50 batimentos por minuto em repouso sem nenhum problema.
Quais medicamentos podem causar bradicardia?
Os mais comuns que são os betabloqueadores usados para controlar pressão arterial ou alguma doença do coração, bloqueadores de canais de cálcio, como verapamil e diltiazem, digoxina, amiodarona, alguns outros antiarrítmicos e até certos colírios para o tratamento de glaucoma pode gerar bradicardia.
Quais são os fatores de risco para bradicardia?
- Idade avançada;
- Doença do próprio coração;
- Uso de algumas medicações;
- Doença da tireoide, principalmente o hipotiroidismo;
- Apneia do sono;
- Doença de chagas;
- Hipertensão arterial;
- Eventualmente alguma cirurgia cardíaca que possa influenciar no sistema de condução.
Bradicardia sinusal pode ser normal?
“Pode sim. Como eu falei, em atletas, pessoas jovens, saudáveis, é, que tem uma boa condição física, ela é considerada uma variante da normalidade”, explica o médico.
Como é feito o diagnóstico da bradicardia?
Pela conversa com um médico. Ele pesquisa os sintomas, uso de medicamento e o histórico clínico, através do exame físico e principalmente através de meios que documentem a frequência cardíaca, onde o principal é o eletrocardiograma.
Como a bradicardia pode ir e vir, às vezes é necessário um monitoramento um pouco mais prolongado, como é o caso do Holter de 24 horas.
O que aparece no eletrocardiograma quando há bradicardia?
Os batimentos aparecem mais espaçados, com frequência abaixo de 50 batimentos por minuto. Na bradicardia sinusal, o desenho de cada batimento é normal, só que mais lento. O exame também ajuda a descobrir se há algum tipo de bloqueio elétrico que são ou não preocupantes.
Quais exames detectam a causa da bradicardia?
- Rota de 24 horas;
- Teste ergométrico;
- Ecocardiograma;
- Exames de laboratórios, que são os exames de sangue;
- Estudo do sono com uma polissonografia;
- Em casos mais selecionados, que precisam de uma investigação um pouco mais invasiva, o estudo eletrofisiológico invasivo.
Bradicardia sinusal tem cura?
“Depende muito da causa. Se for por remédio, por alteração da tireóide, desequilíbrio dos sais, como eu comentei anteriormente, tratando a causa, o ritmo costuma voltar ao normal. Se for a variação da normalidade como atleta ou a questão do sono, não é a doença e não precisa de cura”, disse o médico.
Quando é por desgaste do sistema elétrico, o tratamento é controlar sintomas e em algumas situações o implante de marcapasso. Não existe um remédio específico.
Qual o tratamento para bradicardia?
Se não há sintomas, geralmente não se trata, porque não se configura uma doença e sim uma disfunção.
Quando há sintomas, o primeiro passo é tentar identificar e corrigir a causa, tipo, ajustar ou trocar medicamentos, tratar tireoide e apneia do sono. Se a causa não for reversível e os sintomas persistirem, o implante de marca-passo é a solução.
Quando é necessário usar marcapasso?
“Quando a bradicardia é definitiva. Quando causa sintomas importantes como desmaios, tonturas, cansaço limitante e não tem uma causa reversível. Também é indicado em certos bloqueios elétricos graves, mesmo com poucos sintomas, pelo risco de que possam gerar pausas perigosas” alerta Evilásio Leobino.
O marcapasso é um aparelho pequeno colocado embaixo da pele, embaixo do tecido gorduroso e pele, que gera um impulso elétrico e distribui esse impulso elétrico para o coração.
O que a bradicardia pode causar?
Quando importante e sem tratamento, pode causar cansaço, tontura, queda de desempenho, desmaios, insuficiência cardíaca para quem já tem uma doença prévia.
Bradicardia pode causar desmaio?
“Desmaio sim. É um tipo de sintoma comum nos casos graves”, disse o médico.
Bradicardia pode causar infarto?
Infarto não é consequência direta da bradicardia, mas ambas podem coexistir e o infarto pode causar bradicardia.
Bradicardia pode matar?
Quanto ao risco de morte, ele existe em formas graves quando o coração faz pausas muito longas e até mesmo mesmo quando ele para de bater por um determinado período de tempo. E por isso essas situações devem ser tratadas. A grande maioria das bradicardias, porém, são benignas.
Qual médico trata bradicardia?
Cardiologista é o primeiro médico a procurar em casos mais complexos, os cardiologistas encaminham para o especialista em arritmia, que são chamados de eletrofisiologistas ou arritologistas, que avalia a necessidade de exames mais específicos e eventualmente a necessidade de marcar passo.
“Sempre na dúvida, procure um atendimento de urgência, se tiver um desmaio, uma tontura intensa, uma dor no peito, uma falta de ar importante, uma confusão mental junto aos batimentos mais lento. E aí, você será encaminhado para um especialista”, conclui o cardiologista e arritmologista.