A Justiça do Ceará decidiu pronunciar, ou seja, levar a júri popular três homens por um triplo homicídio ocorrido às margens do Rio Maranguapinho, no bairro Canindezinho, em Fortaleza. Duas das vítimas eram irmãos.
Emanuel Guilherme Nascimento de Lima, Gabriel Pinto de Sousa da Costa e Jefferson Flávio Fernandes da Silva são acusados pelos assassinatos de João Davi Lima Menezes, Alexandra Lima Menezes e José Wenyo Linhares Silva. Ainda não há data prevista para o julgamento.
Um quarto réu, Miguel Guilherme Silva de Assis, teve o processo desmembrado e foi citado por edital meses após não ser localizado para responder à denúncia. Ainda não há data para o julgamento acontecer.
Os acusados são apontados como membros da facção criminosa carioca Terceiro Comando Puro (TCP). O único alvo do ataque seria João Davi. O grupo criminoso acreditava que a vítima tinha 'rasgado a camisa', termo usado quando um membro troca de facção.
O processo tramita na 6ª Vara do Júri, voltada para casos de crimes contra a vida no contexto das facções.
As defesas dos réus não foram localizadas pela reportagem para comentar sobre a pronúncia.
CORPOS EM MATAGAL
Conforme a acusação, o crime aconteceu na noite do dia 6 de novembro de 2025. Populares disseram ter ouvido disparos de arma de fogo e acionaram a Polícia. Os corpos foram encontrados em uma área de mata próxima à margem do rio, na Rua Rio Verde, bairro Canindezinho, em Fortaleza.
Os suspeitos fugiram e foram presos dentro de uma casa de forró.
Testemunhas apontaram que os irmãos João Davi e Alexandra anteriormente residiam em uma região dominada pela organização criminosa TCP, "mas foram expulsos da região, tendo passado a residir em área dominada pela facção rival Comando Vermelho. Alexandra inclusive precisou de ajuda da Polícia para retirar suas coisas e bens da antiga casa e realizar a mudança".
No dia do crime, Davi recebeu uma mensagem de Miguel Guilherme. O MP aponta que o réu dissimulou suas intenções a pretexto de chamar a vítima para o local do crime. O acusado teria dito que queria entregar uma arma de fogo a João Davi e pediu que ele fosse ao matagal, local onde as vítimas foram assassinadas.
João foi ao local combinado, na companhia da irmã, e pediu que José Wenyo o levasse de carro. Chegando lá, os três foram abordados, arrastados para dentro do matagal e executados.
"Após executarem as vítimas, os réus se evadiram do local e levaram o carro em que as vítimas haviam chegado, o qual foi encontrado e apreendido dias depois".
Na denúncia apresentada no dia 10 de março deste ano, o Ministério Público destacou que a abordagem em grupo de pessoas armadas mostra evidência de que os réus agiram para dificultar e impossibilitar a defesa das vítimas.
No local do crime foi apreendido um estojo de arma de fogo calibre .40.
Encerrada a instrução criminal, os juízes entenderam que há indícios suficientes de materialidade e autoria e participação dos acusados no triplo homicídio.
"A dinâmica dos fatos exposta a partir do conjunto probatório acima, portanto, não autoriza o acolhimento, de plano, da tese apresentada pelos réus de negativa de autoria e de ausência de indícios mínimos de autoria, de modo que caberá ao Conselho de Sentença, mediante a apreciação de todo o acervo fático-probatório, decidir acerca da matéria", segundo os magistrados.