Quem são as três mulheres acusadas de triplo homicídio em Fortaleza que devem permanecer presas

Os assassinos montaram um cerco em um beco e usavam balaclavas no ataque.

Escrito por Redação seguranca@svm.com.br
11 de Outubro de 2026 - 07:00
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Legenda: As vítimas estavam em uma residência no dia 26 de março de 2025, quando pessoas armadas chegaram ao local, desceram de dois carros se identificando como policiais civis e efetuaram disparos de arma de fogo. PMs atenderam a ocorrência.
Foto: Arquivo.

A Justiça do Ceará manteve as prisões de três mulheres e um homem acusados por um triplo homicídio em Fortaleza. Dentre os denunciados está Nádia Silva dos Santos que, segundo a investigação, tem posição de comando na facção criminosa Massa/Tudo Neutro (TDN), na região do bairro José Bonifácio.

Além de Nádia, são réus pelas mortes múltiplas: Robério Soares de Souza Silva (esposo de Nádia), Maria de Fátima Lima da Silva, a 'Fafá'; e Adriana Nobre da Costa. Há audiência para continuação da fase de instrução do processo marcada para o próximo dia 19 de outubro, quando devem ser ouvidas testemunhas e realizados interrogatórios dos réus.

As vítimas estavam em uma residência no dia 26 de março de 2025, quando pessoas armadas chegaram ao local, desceram de dois carros se identificando como policiais civis e efetuaram disparos de arma de fogo.

De acordo com a acusação, os assassinos montaram um cerco em um beco e usavam balaclavas. Morreram Matheus Silva Batista, Wellington Santos de Oliveira e Edivânio Soares. 

Para os juízes da 6ª Vara do Júri, não se identificam elementos novos capazes de justificar a revogação das prisões ou substituições por medidas cautelares diversas a favor dos réus. 

A reportagem entrou em contato com a defesa de Nádia Silva, que não quis se manifestar. Os demais advogados não foram localizados. 

ATAQUE EM VIA PÚBLICA

Dias antes do triplo homicídio, membros do CV teriam invadido a vila e 'tomado a região'. No dia das mortes múltiplas, membros da organização Massa voltaram ao local com intuito de retomar o território.

Por volta das 14h do dia 26 de março de 2025, os réus foram ao 'palco' de disputa territorial e "agindo de forma livre, consciente e em comunhão de esforços, fazendo uso de instrumento pérfuro-contundente, foram os responsáveis pelos homicídios das vítimas Matheus Silva Batista, Wellington Santos de Oliveira e Edivanio Soares".

"Os acusados cometeram os crimes de homicídios consumados, resultando em perigo comum, eis que o crime foi cometido em via pública, em horário de considerável circulação de pessoas, onde encontravam-se famílias, crianças, vendedores ambulantes, transeuntes e, portanto, poderiam causar danos de extensão imprevisíveis e com amplo número de vítimas atingidas".

O ataque foi flagrado por câmeras de segurança e presenciado por testemunhas.

Horas antes, o denunciado Robério, conhecido como '2R' ainda teria feito uso de documento falso para locação do veículo utilizado no crime.

AUTORIA INTELECTUAL E MATERIAL

A investigação seguiu até que policiais civis receberam informações do serviço de Inteligência indicando que Nádia teria participado das execuções e estaria escondida no distrito Tabuleiro do Cabreiro, na zona rural de Aracati, então sendo organizada uma operação no local.

O MP pediu mais diligências à Polícia, até vir a primeira denúncia contra Robério e Nádia. Depois, outros elementos probatórios apontaram "a participação decisiva de Maria de Fátima Lima da Silva e Adriana Nobre da Costa na consecução do delito".

O relatório técnico de análise de extração de dados do aparelho celular de Nádia mostra várias conversas e ligações "que se relacionam com os homicídios em apuração"

Conforme a acusação, Maria de Fátima "atuou de forma ativa e consciente no fornecimento de informações estratégicas a Nádia Silva antes, durante e após a execução dos crimes" e "também monitorou a movimentação policial na área e a posição de câmeras de segurança, tendo, após a consumação dos delitos, recebido pedido de desculpas de Nádia pelo ocorrido".

"No momento dos fatos, Maria de Fátima indicou a localização exata de uma das vítimas que tentava se evadir do local, enviando a mensagem: 'tem um escondido em cima da casa', evidenciando acompanhamento em tempo real da execução criminosa"

Já Adriana Nobre, segundo o MP, teria desempenhado papel relevante no planejamento logístico da fuga dos executores: "em mensagem de áudio encaminhada a Nádia, orientou sobre a necessidade de alguém abrir o portão por dentro para facilitar a evasão do veículo utilizado no crime, afirmando: 'Aí era bom uma pessoa que já tava lá dentro pra abrir o portão'. Logo após os disparos, Adriana encaminhou fotografias das vítimas mortas no local, ao que Nádia confirmou o
êxito da execução com a mensagem: 'Nós viu essas foto aí tudinha, nós viu' (sic)".

PEDIDOS DE SOLTURA

A reportagem apurou que em agosto de 2026, Maria de Fátima, Robério, Adriana e Nádia deram entrada em pedido de habeas corpus. A Justiça pontuou que as manutenções das prisões seguem necessárias, já que "o crime teria sido praticado com extrema violência, em concurso de agentes, e em contexto que sugere vínculo com a dinâmica de facções criminosas, o que evidencia gravidade concreta da conduta".

Os juízes alegam também que o processo tramita dentro do prazo, "sem indícios de desídia ou atraso imputável ao Poder Judiciário".

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