PMs protagonizaram ações beneficentes no Ceará na pandemia

Em um ano, histórias de agentes da Segurança Pública do Ceará que organizaram doações de materiais de higiene, alimentos e presentes chamaram a atenção e mostraram o poder da solidariedade

Atrelado ao policiamento ostensivo e à preservação da ordem pública, o dia a dia dos policiais militares também é composto pelo atendimento ao público. São esses agentes da Segurança Pública que mantêm contato direto com a população. Diante da pandemia da Covid-19 não foi diferente. Nas periferias, nos distritos afastados, a necessidade da população se intensificou. Como proporcionar acesso ao que parece óbvio? Máscaras, alimentos e álcool em gel são itens que os policiais conseguiram arrecadar para doação. Mas eles foram além. Realizaram sonhos e ressignificaram vidas. Em abril de 2020, quando o coronavírus se disseminava e pacientes lotavam hospitais, o sargento PM Tomé da Silva percebeu que em uma cidade do interior do Estado a maioria das pessoas permanecia sem usar máscaras. O motivo era unânime: elas diziam não ter condição financeira para adquirir o Equipamento de Proteção Individual (EPI).

Outros membros da tropa se solidarizaram e decidiram encomendar centenas de máscaras a costureiras da cidade de Abaiara, que estavam desempregadas. Aquele era o início de um movimento que conquistou espaço e apreço de empresários da região.

"Nosso serviço é de muito contato com a população, com as pessoas. Abaiara é uma cidade de 70% de agricultores. Naquele primeiro momento, não havia preocupação deles com a gravidade do que seria a pandemia. Conversei com a minha esposa, assistente social do Município, e confeccionamos máscaras com nosso próprio dinheiro. Meus colegas apoiaram a ideia e a cota. A cada dia tirávamos um tempinho e íamos distribuir nas casas das pessoas. A notícia se espalhou e o projeto aumentou. Fizemos um varal em frente ao destacamento e deixamos as máscaras lá. A pessoa, de acordo com a sua necessidade, ia e retirava", recordou Tomé.

O sargento diz que com o objetivo atingido ficou a lição de se preocupar com o outro. "Nós, policiais militares, não prestamos só um serviço de Segurança Pública, mas também precisamos contribuir para o bem-estar. Nosso trabalho continua. Agora para o Natal, arrecadamos 150 brinquedos. Entregamos aos pais da zona rural e eles vão dar aos filhos. Não precisa que as crianças saibam que a Polícia quem deu", destacou o PM, membro da Corporação há 20 anos.

Arrecadações

Em Baturité, a quase 100 quilômetros de Fortaleza, mais gestos solidários. Há três anos o policial militar Saulo Tito Oliveira, lotado no Batalhão de Policiamento do Raio (BPRaio), deu início ao projeto 'Resgatando Vidas'. A ideia, segundo ele, veio a partir de um sonho em uma madrugada.

"Deus tocou meu coração. No sonho, ele me mostrou que eu ajudava muitas pessoas. Ver essas crianças e conseguir ajudar com o apoio dos meus colegas do Batalhão, com as pessoas da igreja, é gratificante. Eles estão comigo desde o começo, colaborando", contou o soldado.

Do início do projeto até aqui, o policial contabiliza que foram, pelo menos, mil famílias atendidas. Na pandemia, a quantidade de doações diminuiu, segundo o policial. Mesmo assim, no último Dia das Crianças, 300 famílias receberam presentes. Para este Natal haverá entrega de cestas básicas e sorteios de bicicleta, geladeira e fogão.

Presente

Em Fortaleza, na última semana, um gesto de PMs repercutiu nas redes sociais. Valentina, de quatro anos de idade, ganhou um cachorro levado até ela pelos policiais. Por trás do presente, uma história de luto. No dia 20 de fevereiro de 2020, o soldado da PM Samuel Costa de Moraes morreu em um acidente de trânsito, a caminho do trabalho. Samuel era pai de Valentina e esposo da consultora de vendas Alexandra Bezerra Nóbrega da Silva.

"Ele era um paizão. Valentina começou a ser acompanhada pela psicóloga e veio a ideia de ela ter um cachorrinho. Ela dizia não ter ninguém para brincar com ela. Conheço os militares que trabalhavam com o meu esposo e falei sobre ela querer um cachorro. Ficou por isso mesmo. Dias depois, eles disseram que queriam dar um presente para a Valentina. Vieram na nossa rua com a viatura e ela foi até a calçada. Eles encostaram e lá estava o cachorrinho. Disseram que era um presente dos amigos do papai. Foi muito carinho da parte deles", declarou Alexandra.

A mãe da pequena Valentina ainda acredita que "independentemente de qualquer situação e mesmo sabendo que exista muita gente ruim no mundo, ver policiais que dão a cara a tapa todos os dias e que gostam de cuidar do outro" a deixa feliz: "eles não estão ali só para prender as pessoas, mas dar suporte aos que precisam", salientou.

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