A Polícia Civil do Ceará (PCCE) prendeu oito 'pontas de lança' do Comando Vermelho durante a Operação Arquipélago II, deflagrada nesta quinta-feira (27), para desarticular uma organização criminosa com atuação no município de Forquilha, na região Norte do Ceará. Entre os capturados, um foi localizado dentro de um hospital, no Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Civil fluminense.
Ao todo, a Justiça expediu 10 mandados de prisão preventiva. Além dos oito presos, dois alvos ainda não foram localizados: P.H.P.M., conhecido como “Pescador”, e J.M.A., conhecido como Becí. As diligências continuam para tentar encontrar ambos os investigados por comandar ações da facção criminosa no município.
"Os presos fazem parte da rede de apoio do CV: O cara que faz o corre, enfermeiro responsável por atender criminoso, auxiliares técnicos, o cara que cobra pedágio político, olheiros, quem vende droga, quem compra arma, quem faz o tribunal do crime"
A operação é resultado de aproximadamente 12 meses de investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de Forquilha, sob coordenação do delegado Fábio Pereira. Segundo a Polícia Civil, o trabalho teve como objetivo avançar sobre a estrutura de uma organização criminosa, identificando seus integrantes, funções, núcleos e conexões.
De acordo com o delegado, os presos são 'pontas de lança' do Comando Vermelho e estariam envolvidos em vários eixos de atuação do grupo criminoso. Há envolvimento em inquéritos referentes a homicídios, tráfico de drogas, corrupção de menor, lavagem de dinheiro e disciplina (tribunal do crime).
A polícia investiga ainda o envolvimento dos presos com as extorsões de até R$ 300 mil para que políticos façam campanhas em Forquinha. "Eles estão sendo presos por integrar e atuar na ponta da lança, fortalecendo o financeiro do crime. Um mesmo cara pode ter múltiplas funções", explicou o delegado responsável pela operação.
Um dos alvos foi preso no Rio de Janeiro
A ação teve caráter interestadual. José Alisson Vitorino da Costa foi localizado e preso dentro de um hospital na Zona Sul, no Rio de Janeiro, com apoio de equipes da Polícia Civil daquele estado. A prisão ocorreu por meio da atuação da Delegacia do Leblon (14º DP), sob responsabilidade do delegado Alexandre Neto.
Ele foi interceptado na unidade hospitalar porque a esposa dele estava em trabalho de parto.
Segundo as investigações, ele atuava como braço direito de “Berci”, “Beci” ou “Índio”, apontado como umas das lideranças do CV em Forquilha (CE).
Desdobramento de operação realizada em janeiro
A Arquipélago II é apontada pela Polícia Civil como um desdobramento da Operação Arquipélago I, realizada em janeiro deste ano pela Delegacia de Forquilha.
Na primeira etapa, as investigações estavam concentradas em apurações individuais. Agora, segundo a PCCE, o trabalho passou a analisar integradamente os crimes relacionados ao grupo e a maneira como os diferentes integrantes estariam inseridos na estrutura criminosa.
A operação mobilizou equipes de diferentes delegacias da Área Integrada de Segurança 3 (AIS 3), além do Departamento de Polícia do Interior Norte (DPIN-Norte) e do setor de inteligência do departamento.
As investigações continuam com o objetivo de localizar ambos os alvos que permanecem foragidos e analisar os materiais apreendidos. A Polícia Civil também busca identificar possíveis novos integrantes e outros desdobramentos relacionados à organização.