O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou o trio indiciado por matar dois comerciantes no bairro Novo Mondubim, em Fortaleza. De acordo com a acusação, "o crime foi premeditado, ou seja, monitoravam os passos das vítimas e a surpreenderam no local de trabalho de modo previamente planejado".
O MP aponta que Victor Rodrigues Freire, José Ribamar de Souza Neto e Gabriel Soares de Freitas cometeram o duplo homicídio das vítimas Wallace Goes de Oliveira e Roseany Lima de Oliveira em um contexto "de crime de domínio social estruturado da organização criminosa ultraviolenta, Comando Vermelho (CV)".
A acusação requer que seja fixado valor de reparação dos danos causados aos ascendentes e descendentes do casal, no valor de R$ 400 mil, considerando que a família foi privada do convívio pela conduta criminosa.
O órgão acusatório destaca que "os elementos colhidos apontam que as vítimas estavam sendo constrangidas por integrantes da facção criminosa ao pagamento da espécie 'taxa', chamada comumente de 'caixinha', uma contribuição ilícita exigida mensalmente de comerciantes da região como forma de manutenção de financiamento e o domínio territorial exercido pela organização criminosa".
"A investigação revelou que o crime foi perpetrado no contexto da atuação da referida organização criminosa, que busca consolidar seu domínio sobre o território mediante a intimidação e eliminação de pessoas tidas como resistentes, desafetas ou não submissas às suas regras".
VERSÕES DO CRIME
Gabriel Soares foi o segundo suspeito preso pela morte do casal e revelou à Polícia Civil do Ceará uma nova informação sobre o crime: a de que Wallace Goes de Oliveira e Roseany Lima de Oliveira foram mortos por engano.
Em depoimento, o homem conhecido como 'Biel' disse que Wallace não era o real alvo da ação criminosa premeditada. Já Roseany foi atingida quando tentou defender o marido, ficando à frente dele na hora dos disparos.
Segundo o suspeito, só depois da repercussão do duplo homicídio, quando ele viu as fotos das vítimas nas redes sociais, foi que "identificou que tinham matado a pessoa errada".
Gabriel contou aos policiais que, dias antes, uma mulher envolvida com o tráfico estava em posse de R$ 70 mil em espécie. Uma pessoa na praça onde ficam os trailers denunciou a atitude suspeita à Polícia Militar, que chegando ao local supostamente exigiu R$ 20 mil em troca da mulher não ir presa.
A denúncia e a perda do dinheiro desagradaram a facção, gerando uma retaliação "em desfavor de outra pessoa não identificada, que não o casal", destacou a Polícia Civil.
Para os investigadores, é certo que o contexto da morte das vítimas está ligado de "forma direta à atuação das facções criminosas na área".
VÍTIMAS TRABALHAVAM QUANDO FORAM MORTAS
Wallace e Roseany trabalhavam quando foram surpreendidos pela rápida aproximação das motocicletas utilizadas pelos denunciados.
Tudo aconteceu na noite do dia 28 de agosto de 2026. O homem morreu em frente ao veículo, enquanto a mulher foi socorrida a uma unidade hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos.
Em depoimento aos investigadores, uma testemunha disse ter ouvido os tiros, pois estava em uma casa próxima ao trailer. Ela contou que o dono de um food truck vizinho gritou "não mata o cara não".
Outra testemunha disse também ter ouvido os disparos de arma de fogo e viu a pessoa de blusa azul subindo na garupa após a ocorrência, além de também ter ouvido a narração do dono de um trailer vizinho.
Victor foi o primeiro suspeito preso pelo crime e apontado como quem efetuou os disparos contra o casal. Já José Ribamar foi detido quando se apresentou na delegacia na companhia do advogado.
Agora, o MP pede que o processo tramite na 6ª Vara do Júri de Fortaleza. A Unidade é especializada em julgamentos de crimes dolosos contra à vida no contexto das organizações criminosas.