A Justiça do Ceará adiou novamente o julgamento dos ex-policiais militares Glauco Sérgio Soares do Bonfim e José Luciano Souza, acusados pelo assassinato do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais. A nova data prevista para os denunciados sentarem no banco dos réus é o dia 25 de novembro de 2026.
Em julho deste ano, instantes antes de começar o júri da dupla, o Ministério Público do Ceará (MPCE) pediu o adiamento alegando que uma testemunha considerada imprescindível não pôde comparecer ao Tribunal. Naquele mesmo dia, o Judiciário remarcou a sessão para 4 de novembro de 2026.
Na última semana, o Diário do Nordeste apurou junto ao Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) que a sessão foi novamente adiada. Desta vez, "a mudança da data é decorrente do novo julgamento de dois policiais militares envolvidos no Caso Curió, que será quarta-feira (04/11), às 9h, no Fórum Clóvis Beviláqua, e também é de responsabilidade da unidade judiciária".
Ambos os casos tramitam na 1ª Vara do Júri de Fortaleza.
As defesas dos acusados não foram localizadas pela reportagem, e este espaço segue aberto para possíveis manifestações futuras.
ADVOGADO EXECUTADO NA PORTA DE CASA
Di Angellis chegava em casa na noite do dia 6 de maio de 2023, no bairro Parquelândia, em Fortaleza, quando foi surpreendido por homens armados.
Para o MPCE, a dinâmica do crime mostrou um "meticuloso estudo da vítima, eis que o atirador se deu ao trabalho de efetuar os disparos somente após a vítima desembarcar do veículo, não efetuando disparos diretamente na lataria do carro, assim, evitando que a ação homicida fosse frustrada, caso o veículo fosse blindado".
A execução se tratou de um crime premeditado. Conforme denúncia do MP, dias antes do ataque, o empresário Ernesto Wladimir Oliveira Barroso encomendou a morte do advogado para se vingar de uma extorsão.
Glauco Sérgio e José Luciano seriam os responsáveis contratados para a execução.
Di Angellis estava sendo ameaçado para fazer a retirada de notícias de um site que publicou informações de ascensão econômica de um empresário dos ramos de cooperativa de saúde e postos de combustíveis.
O DESENROLAR DO PROCESSO
O empresário disse à Polícia Civil do Ceará (PCCE) que teria se desentendido com o advogado devido a "matérias jornalísticas e postagens em grupos de WhatsApp" que falaram da sua ascensão financeira.
Os dois ex-PMs foram pronunciados pelo crime em maio do ano passado, enquanto a Justiça decidiu que não havia provas suficientes indicando que Ernesto quem ordenou o crime.
Na época, o magistrado pontuou que o empresário foi impronunciado "por ausência de convencimento quanto aos indícios suficientes de autoria ou de participação desse réu nos crimes narrados na denúncia" e as prisões dos dois ex-PMs mantidas para garantia da ordem pública".