Quatro acusados por protagonizar um ataque a tiros em frente a uma escola, em Fortaleza, devem se sentar no banco dos réus no próximo dia 19 de novembro. O grupo é denunciado por integrar a facção criminosa Comando Vermelho (CV) e tentar assassinar duas pessoas que teriam se recusado a integrar o grupo criminoso.
Jorge Leandro da Silva, Reginaldo Melo da Silva, Anderson Pereira da Silva e Juliano Lourenço de Souza Melo foram pronunciados na 6ª Vara do Júri no fim do ano passado. O júri chegou a ser remarcado por um dos advogados dos réus já ter sessão agendada na data anterior.
As prisões dos quatro acusados estão mantidas. Taian Lima, advogado de Anderson, disse ter assumido a defesa para a sessão de júri e considera que "o processo está eivado de lacunas intransponíveis na acusação, que fundamenta-se exclusivamente em declarações enviesadas e tendenciosas no sentido de imputar o crime para inocentes, enquanto os verdadeiros algozes sequer foram mencionados no curso da causa".
"Não há um único indício de que fosse membro de qualquer Organização Criminosa, apenas ilações. Tenho repetido “ad nauseam” que justiça não se faz somente quando se condena o réu, mas também quando se absolve um inocente. E confiamos na soberania do Tribunal do Júri"
CONTEXTO DE DISPUTA ENTRE ORGANIZAÇÕES RIVAIS
Por volta das 18h30 do dia 28 de maio de 2025, em frente a uma escola no bairro Vicente Pinzón, e Fortaleza, homens armados chegaram em veículos, desceram e efetuaram disparos de arma de fogo.
Naquele momento alunos entravam e saíam do colégio, tendo, segundo as investigações, uma grande circulação de pessoas no local. Duas pessoas foram atingidas. Uma delas com três tiros e a outra dois.
O que seria um ataque premeditado contra o casal tomou circunstâncias que também ensejaram "risco à vida dos que se encontravam nas proximidades".
Conforme a acusação, "há indícios de que a presente tentativa de homicídio teria ocorrido em contexto de disputa entre organizações criminosas rivais, Guardiões do Estado(GDE) e Comando Vermelho (CV) no bairro Vicente Pinzon. Infere-se que os réus, em tese, integram a facção criminosa CV e estariam promovendo ameaças aos moradores da região para se tornarem integrantes do referido grupo, bem como realizando emboscadas e executando indivíduos para fins de consolidar domínio territorial".
Testemunhas indicam que as vítimas tinham acabado de chegar em frente ao colégio, onde uma delas estudava, quando os acusados "supostamente chegaram ao local, utilizando um veículo Ford Ka branco, com os vidros semiabertos, auxiliados por uma motocicleta de cor vermelha dando apoio à ação criminosa".
José Leandro é quem teria descido do carro, já com a arma em punho e efetuado os disparos.
As vítimas foram socorridas a uma unidade hospitalar e sobreviveram.
BUSCAS PELOS SUSPEITOS
Na manhã seguinte ao ataque, a Polícia localizou o carro utilizado na ação criminosa. Após perícias, laudos revelaram a presença de impressões digitais coincidentes com as do réu Anderson. Dois dias depois, os demais suspeitos foram localizados na Praia do Futuro.
Um dos sobreviventes disse à Polícia ter reconhecido Anderson como líder do Comando Vermelho no Morro das Placas e Juliano Lourenço como 'braço direito' dele.
Segundo o MP, os réus teriam se desvinculado recentemente da facção Guardiões do Estado (GDE) e passado a coagir moradores do Vicente Pinzón a aderirem ao novo grupo.
"As vítimas relataram que a suposta motivação do crime estaria relacionada ao fato de os acusados acharem que a negativa do casal de integrar a organização CV seria em razão de estarem se aliando à facção criminosa rival, uma vez que as vítimas teriam mudado de residência recentemente, em meio ao conflito entre CV e GDE".
Para o Judiciário, a partir das acusações "não se pode afastar, nessa fase processual, a plausibilidade de que o crime doloso contra a vida tenha sido motivado por rivalidade entre facções criminosas, subsistindo indícios suficientes para a manutenção da qualificadora" de motivo torpe e ida ao Tribunal do Júri.
FIM DA GDE
Semanas após o ataque, Fortaleza passou a registrar por dias consecutivos queimas de fogos generalizadas.
Na época, o Diário do Nordeste noticiou que os fogos eram em comemoração pelo CV ter tomado pontos de vendas de drogas da GDE em diversas localidades da Capital, incluindo comunidades do Vicente Pinzón.