O marido da policial militar Júlia Natália Girão Gomes, Antoneudo Ribeiro Lima Junior, que está preso por suspeita de participação na morte do PM Raphael Sampaio da Silva, encontrado carbonizado no dia 11 de agosto, está com marcas de queimaduras no braço. Investigadores acreditam que o fato pode indicar que ele queimou o corpo do soldado Raphael, segundo o Diário do Nordeste apurou.
No exame de corpo de delito feito no dia de sua prisão, no mesmo dia do crime, Antoneudo usou uma camisa de manga longa que escondeu temporariamente os ferimentos. No documento pericial, é atestado que ele não apresentou "vestígios de ofensas à integridade física".
Em nota, a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) informa que "os exames periciais são realizados mediante solicitação da autoridade competente e, após sua conclusão, os respectivos laudos são encaminhados à Polícia Civil, responsável pela investigação".
Questionada sobre o exame de Antoneudo, a pasta informou que "por se tratar de investigação em andamento, não divulgará informações sobre o conteúdo dos laudos periciais relacionados ao caso, a fim de preservar o regular andamento das investigações".
A reportagem apurou que a perícia nos celulares de Antoneudo e Júlia deve ajudar a esclarecer o motivo da morte do soldado Raphael. A Justiça já autorizou a quebra do sigilo dos aparelhos, e todas as hipóteses estão sendo levantadas pelos investigadores para elucidar a motivação.
Morte em investigação
O soldado Raphael foi atingido com disparos de arma de fogo e depois teve o corpo queimado, após sair do plantão com a colega de batalhão e viatura, soldado Júlia, que também está presa.
A motivação do crime ainda é investigada pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), mas é sabido que os soldados Júlia e Raphael, ambos casados, mantinham uma relação extraconjugal, segundo a tia de Raphael, Rosilane Sampaio, revelou à reportagem no dia do velório do policial. Júlia apresentou versões conflitantes com os fatos e teria mentido em interrogatório, contribuindo para sua prisão.
Uma possível motivação seria por desavenças decorrentes do relacionamento entre os militares, mas a polícia não descarta outras possibilidades.
Júlia e o marido, Antoneudo, foram presos horas após o corpo de Raphel ser encontrado. Antoneudo foi detido inicialmente, pois em sua casa foram achadas seis munições de calibre .38 no quarto e 11 cédulas de identidade falsificadas ou em branco, ocultadas em um fundo falso atrás do espelho do banheiro da suíte do casal. O carro do homem e celulares também foram apreendidos pela polícia.
Na quinta-feira (13), a PM teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e, contra o esposo, foi decretada prisão temporária.
Um carro supostamente utilizado no homicídio foi apreendido na última sexta-feira (14). O veículo foi localizado na Messejana, próximo à Avenida Washington Soares. A Polícia também trabalha com a possibilidade de que Raphael tenha sido morto em outro local antes de ser carbonizado em Itaitinga, na região metropolitana de Fortaleza, onde foi encontrado.
O soldado Raphael foi encontrado carbonizado pouco depois das 4h da manhã de 11 de agosto, após o Corpo de Bombeiros do Ceará (CBMCE) ser acionado por um transeunte que avistou o veículo em chamas na rua Leandro Morais, no Ancuri, em Itaitinga. O PM estava fardado.
Um galão de combustível foi encontrado no local. O item foi periciado, e não foram encontradas digitais.