A 4ª Vara do Júri inocentou em primeira instância Michael Jackson Vieira de Oliveira, um dos acusados de envolvimento na morte do ex-PM Claudemir Ribeiro dos Santos, o 'Cláudio Pit Bull', morto em setembro de 2012 após sair de uma festa no Parque São José. A decisão foi proferida em 24 de setembro pelo juiz de Direito Eduardo Mota, mas o Ministério Público do Ceará (MPCE) ainda pode recorrer do veredito.
Segundo a investigação, Claudemir também já teria sofrido uma tentativa de homicídio em um bar na Barra do Ceará sete meses antes de sua morte. Ele chegou a ser hospitalizado e sobreviveu. Contudo, perdeu o irmão e um amigo, o PM Francisco Evandro Pinto, que estavam com ele no dia e morreram ainda no local.
Em contato com a reportagem, os advogados de defesa Paulo Pimentel e Gilson Alves afirmaram que a tese de absolvição de Michael se deu porque a vítima não chegou a ser ouvida em Juízo nem fez o reconhecimento do acusado. Em depoimento, uma testemunha afirma que o ex-PM chegou a dar nomes de supostos envolvidos no ataque.
Ele teria dito que "se eu for assassinado, as pessoas que me mataram foram essas", e teria citado Maycon da Silva Nascimento, Francisco de Brito, Leandro Dutra e Márcio Gledson Dias da Silva o 'Márcio do Gueto'.
A investigação afirma que os envolvidos fariam parte de uma organização criminosa conhecida como “Turma do Gueto”, apontados como responsáveis por crimes como tráfico de drogas e homicídios na região da Barra do Ceará.
Em que pese a vítima não ter sido ouvida em Juízo, o inquérito argumentou que a palavra do ex-PM “denota relevante valor, pois presenciou os fatos e sobreviveu para narrar o ocorrido com detalhes’’. Também diz que a vítima não teve tempo de levar sua versão para o júri, pois morreu antes de poder fazê-lo e contraria a justificativa de que o julgamento esteja baseado “unicamente em testemunhos de ouvir dizer’’.
A defesa também afirma que a tese sustentada pela acusação era que o depoimento prestado pelo atual delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Márcio Gutierrez, era "suficiente para condenar". Gutierrez era o delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e representante do inquérito policial do caso na época. O advogado alega que o delegado não presenciou os fatos e supostamente reproduziu o que fora dito pela vítima, que não declarou o nome completo do acusado.
‘Vingança’
Claudemir foi morto na saída de uma festa em setembro de 2012. Segundo a investigação, ele foi surpreendido por cinco pessoas na saída de uma festa no Parque São José. Os acusados estariam distribuídos em dois carros e uma moto, e efetuaram 40 disparos no total. Destes, 21 atingiram a vítima, que morreu na hora.
O inquérito aponta que os autores teriam sido Maycon da Silva, Leandro Dutra, Sebastião Nunes de Oliveira (morto em 2013) e um outro conhecido como “Frisa”. O crime teria sido uma ordem de Márcio Gledson, o ‘Márcio do Gueto’, Michel Jackson Vieira de Oliveira e Francisco de Brito, que morreu em 2017.
Segundo o MP, Claudemir era conhecido na barra do Ceará. Apesar de estar fora da corporação na época dos fatos, ele repassava informações privilegiadas a outros policiais que atuavam na região. Isso teria gerado invasões da polícia no território, o que teria incomodado os traficantes da região. O ex-PM também teria matado dois membros do grupo cerca de um mês antes da primeira tentativa de assassinato.
*Estagiária sob supervisão do jornalista Emerson Rodrigues