'Já morreu, vumbora': faccionados réus por homicídio em saída de festa devem ir a júri popular no CE

Um dos acusados é apontado como fundador da Guardiões do Estado (GDE).

Escrito por Redação seguranca@svm.com.br
13 de Setembro de 2026 - 07:00
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Legenda: Ainda não há data para o julgamento acontecer.
Foto: Kid Júnior.

Dois homens acusados de assassinar a tiros um desafeto na saída de uma festa, em Fortaleza, e tentar matar outras duas pessoas, devem sentar no banco dos réus. A Justiça do Ceará decidiu pronunciar Kevin Anderson Ferreira de Oliveira e Misael de Paula Moreira.

A decisão de levar a dupla a júri popular foi proferida 13 anos após o crime. Misael é apontado como um dos fundadores da facção criminosa local Guardiões do Estado (GDE) e um dos responsáveis por ordenar o massacre que ficou conhecido como Chacina das Cajazeiras.

Ambos negaram em juízo terem participado da ação criminosa. No entanto, para o Juízo da 2ª Vara do Júri de Fortaleza, há indícios suficientes de autoria devido aos elementos de prova produzidos ao longo da investigação policial e instrução processual para levá-los ao Tribunal do Júri.

As defesas dos réus não foram localizadas pela reportagem e ainda não há data para o julgamento acontecer.

VÍTIMAS FORAM INTERCEPTADAS

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), na madrugada do dia 19 de julho de 2013, no bairro Siqueira, os denunciados se uniram para matar a vítima Antônio Inácio Custódio e tentar assassinar outras duas pessoas.

Na noite do crime, as vítimas saíram há pouco de uma festa de São João. O denunciado Kevin teria se aproximado de Antônio dizendo que ia dominar a região para traficar drogas, o que gerou o início de uma discussão.

A vítima teria dado um tapa na cara do rival e saído em um veículo Fiat Uno na companhia de dois amigos. Não satisfeito com a reação de Inácio, Kevin seguiu o veículo na companhia de Misael, alcançando o carro nas proximidades de uma rotatória que dá acesso à BR-116.

"O veículo que transportava os denunciados, guiado por pessoa não identificada, emparelhou com o carro alhures mencionado para que estes efetuassem os primeiros disparos de projéteis de arma de fogo que atingiram o condutor Marcelo e uma mulher".

O condutor do Fiat Uno tentou fugir, mas colidiu o automóvel contra uma cerca. A mulher, ferida, permaneceu dentro do carro, enquanto os dois homens saíram correndo em busca de abrigo.

Antônio Inácio, desorientado, acabou correndo em direção aos seus algozes e foi "fatalmente atingido pelos denunciados, que deflagraram mais de 10 projéteis de arma de fogo".

Um dos sobreviventes contou à Polícia que escutou Misael dizer: "Já morreu Kevin, tá bom, vumbora", tendo Kevin supostamente continuado a atirar, só parando quando ouviu uma sirene de viatura policial se aproximando.

A denúncia foi recebida pelo Poder Judiciário em abril de 2019 e a audiência de instrução começou em 2022.

Misael disse em interrogatório que a acusação não é verdadeira e contou que na época do ocorrido ele morava em Icaraí, "onde afirmou estar no dia do crime". Kevin também negou a autoria do crime e disse que na época não frequentava festas e que estava em uma cadeira de rodas.

CHACINA DAS CAJAZEIRAS

No dia 27 de janeiro de 2018, membros da GDE colocaram em ação um plano minuciosamente pensado para aterrorizar e mostrar aos rivais quem mandava no território.

O grupo de atiradores chegou ao Forró do Gago em, pelo menos, dois veículos. Eles estavam determinados a acabar com a festa e com vidas. O objetivo era atacar integrantes do Comando Vermelho (CV), facção que na época dominava o tráfico de drogas na região em volta da casa de shows.

14 pessoas foram assassinadas. A maior parte das vítimas sequer tinha antecedentes criminais.

Segundo informações do Tribunal de Justiça do Ceará, 15 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público por participação na Chacina das Cajazeiras. Entretanto, apenas oito réus foram pronunciados pela 2ª Vara do Júri de Fortaleza para ir a julgamento.

"Após a fase de instrução do processo, etapa em que as provas e documentos são produzidos e que também ocorrem as audiências para ouvir as vítimas sobreviventes (quando há) e testemunhas, bem como o interrogatório dos réus, o Juízo da 2ª Vara do Júri de Fortaleza decidiu por pronunciar oito réus. Ou seja, submetê-los a julgamento pelo Tribunal do Júri para que os jurados decidam sobre o veredito deles", esclareceu o TJCE.

Estão pronunciados para ir a julgamento: Noé de Paula Moreira, o 'Gripe Suína'; o irmão de Noé, Misael de Paula Moreira, conhecido como 'Afeganistão' ou 'Psicopata'; Fernando Alves de Santana, o 'Baiano' ou 'Robin Hood'; Ruan Dantas da Silva, o 'RD'; Zaqueu Oliveira da Silva, o 'Macumbeiro'; Joel Anastacio de Freitas, o 'Gaspar'; e Francisco Kelson Ferreira do Nascimento, o 'Susto'.

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