Empresário que foi ligado ao consulado italiano é acusado de liderar ações criminosas de máfia no CE

Italiano é acusado de liderar organização criminosa com fortes suspeitas de laço com a máfia 'Ndrangheta, originária na região da Calábria, na Itália.

Escrito por Matheus Facundo matheus.facundo@svm.com.br
22 de Julho de 2026 - 14:00
capa da noticia
Legenda: Em 2024, a PF e a Interpol apuraram um esquema de lavagem de dinheiro no Ceará envolvendo uma máfia italiana.
Foto: Divulgação/PF.

Enquanto tinha ligação com o Vice-Cônsul Honorário da Itália em Fortaleza, o italiano Cesare Villone, que morou por décadas no Ceará, teria sido uma das peças centrais de uma organização criminosa transnacional dedicada à lavagem de dinheiro e fraude, descoberta em 2024 pela Polícia Federal (PF). Réu na Justiça Federal cearense, Villone não apenas participaria do esquema, como comandaria um dos braços operacionais do grupo, entre os anos de 2011 e 2013, e teria laços com a máfia 'Ndrangheta, originária da região da Calábria, na Itália, apontam as investigações da PF e a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

A denúncia criminal, oferecida pelo MPF, revelou que ele usaria o aparato diplomático, como o endereço oficial do Vice-Consulado da Itália e da Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira, na Rua Miguel Dibe, nº 68, em Fortaleza, para registrar 21 empresas, muitas delas de fachada.

Em nota, os advogados Nestor Santiago e João Henrique de Andrade, que representam os irmãos italianos Cesare e Maurizio Villone, informam que os fatos narrados contra eles são "inverídicos, fantasiosos e desprovidos de qualquer embasamento probatório, tal como foi exaustivamente demonstrado no curso do inquérito policial". 

O objetivo da criação dos empreendimentos, segundo o órgão ministerial, era conferir uma aparência de legitimidade e credibilidade que facilitava a internalização de recursos ilícitos e a obtenção de vistos para italianos com antecedentes criminais na Europa.

Cesare já foi presidente da Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira do Nordeste, órgão que, segundo a biografia do italiano presente em um site com seu nome, ele ajudou a fundar.

A lavagem de dinheiro, de acordo com a peça acusatória, acontecia ainda em associação com Maurizio Villone, irmão de Cesare. 

A investigação aponta ainda que Maurizio e outro irmão, Gabriele, utilizaram a estrutura empresarial de Cesare, montada no Brasil, para lavar dinheiro proveniente, inclusive, do tráfico internacional de armas. 

Italiano abriria empresas para mascarar crimes

De acordo com documentos obtidos pela reportagem, Villane admitiu, no curso das investigações, ter criado empresas somente no papel, destinadas somente para trânsito de valores e obtenção de vistos de investidores. 

Ele declarou que teve empresas que "nunca tiveram atividades". Os investigadores concluíram que os atos serviam para "mascarar" o uso dessas empresas como contas de passagem para a entrada de dinheiro obtido ilegalmente na Itália. 

Entre as empresas geridas por ele, destacam-se:

  • Coral Imobiliária: empreendimento que gerou 125 acusações pelo crime de lavagem de dinheiro.
  • JCS Consultoria: também usada como conta de passagem, gerando 41 acusações de lavagem.
  • Ronielha Indústria: A primeira empresa aberta por ele para obter seu próprio visto de permanência, em sociedade com seu irmão Maurizio Villone, homem que, segundo a denúncia, possui vasto histórico criminal na Itália.

Refúgio na Itália

Atualmente, Cesare Villone e seu irmão Maurizio, que também é réu no mesmo processo, não residem mais no Brasil.A saída dele do Brasil teria ocorrido após uma operação da PF em seu antigo apartamento no bairro Meireles.

A Justiça Federal brasileira já expediu uma Carta Rogatória para a cidade de Alassio, visando à sua citação internacional para que ele responda às acusações. 

Este conteúdo é útil para você?

Newsletter

Escolha suas newsletters favoritas e mantenha-se informado

Edição do Dia