O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escreveu uma carta às famílias evangélicas brasileiras em busca de aproximação com o segmento religioso a 12 dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
No documento, o candidato à reeleição destaca valores familiares, defende o fim da escala de trabalho 6x1 e promete combater as apostas online, conhecidas como bets.
“Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé. Temos uma coisa em comum: o compromisso de cuidar das famílias brasileiras”, escreveu o presidente.
A mensagem foi divulgada nesta quarta-feira (14) pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento responsável por levar o texto ao público religioso. A carta também aborda segurança pública, combate à violência, saúde e aumento da renda.
Esta não é a única estratégia de Lula de tentar aproximação com o eleitorado cristão na reta final do segundo turno das eleições de 2026. No vídeo abaixo, o vice-presidente Geraldo Alckmin e Jorge Messias, advogado-geral da União, publicaram mensagem ao público.
Lula associa fim da escala 6x1 à participação em cultos
Entre os principais pontos da carta, Lula defende a ampliação do descanso semanal dos trabalhadores. O presidente argumenta ser necessário garantir dois dias de folga para permitir mais tempo com a família, momentos de lazer e participação em atividades religiosas.
As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração
O presidente também relaciona a proteção das famílias ao combate às plataformas de apostas online. Na carta, afirma haver impactos negativos das bets sobre os lares brasileiros e apresenta o enfrentamento ao setor como parte dos compromissos de sua gestão.
Presidente cita fé e trajetória familiar
Ao longo do documento, Lula recorre a referências bíblicas e à própria história de vida para estabelecer pontos de aproximação com os evangélicos. O presidente relembra as dificuldades enfrentadas pela mãe, Dona Lindu, na criação dos filhos e associa sua trajetória política à defesa das famílias brasileiras.
“Tenho absoluta certeza de que, se não fosse a boa mão de Deus, eu nem teria saído vivo das várias batalhas que enfrentei”, declarou.
Embora reconheça não pertencer à religião evangélica, Lula afirma respeitar todas as crenças e profissões de fé. O petista também diz ouvir reivindicações do segmento por mudanças, segurança e melhores condições de vida.
Na área da segurança pública, o presidente cita a proteção de mulheres, crianças e adolescentes e o combate ao crime organizado com uso de inteligência. Também menciona compromissos com a melhoria da saúde pública, o aumento real da renda e a preservação ambiental.
Lula pede discernimento antes da escolha eleitoral
Na parte final da carta, o presidente pede aos eleitores evangélicos uma reflexão sobre o voto no segundo turno. A mensagem não cita nominalmente o adversário Flávio Bolsonaro (PL).
“Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição”, escreveu.
A iniciativa integra as ações da campanha petista voltadas à aproximação com diferentes grupos religiosos. Além da carta, a campanha lançou o canal de WhatsApp “Cristãos com Lula 13”, com a proposta de divulgar compromissos relacionados às crianças, aos adolescentes e às famílias.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), católico, e o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, evangélico, participaram da divulgação da iniciativa em vídeo nas redes sociais.
A estratégia ocorre na reta final da disputa presidencial, com a campanha de Lula buscando ampliar o diálogo com o eleitorado cristão antes da votação de 25 de outubro.