Nunes Marques impõe condições para funcionamento do canal 'Exército do Lula'

Canal deve ser registrado na Justiça Eleitoral em 48h.

Escrito por Estadão Conteúdo
13 de Outubro de 2026 - 11:59 (Atualizado às 13:08)
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Legenda: Nunes também proibiu Janones de divulgar conteúdos que já foram considerados inverídicos pelo plenário do TSE.
Foto: Fellipe Sampaio / STF.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, estabeleceu nesta terça-feira (13), condições para o canal "Exército do Lula" continuar no ar. A decisão foi tomada após decisões conflitantes sobre o tema, que abriram uma crise interna na Corte.

O canal tem cerca de 3 milhões de seguidores e foi criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No último domingo (11), o ministro havia determinado a suspensão do canal de WhatsApp a pedido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Para o ministro, o canal transmitia "a milhões de pessoas, sob comando único" conteúdos que o TSE já reconheceu como "inverídicos".

No mesmo dia, em outro processo, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o funcionamento do grupo e submeteu o caso para apreciação imediata do plenário da Corte.

Já nesta segunda-feira (12), a área técnica do TSE não identificou no canal o conteúdo de notícias falsas que havia sido denunciado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Corte. A análise havia sido pedida por Nunes, que determinou à Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE um levantamento das publicações e se elas foram ou não difundidas em outros meios e plataformas.

Registro da Justiça Eleitoral

No despacho desta terça, Nunes Marques ajustou sua decisão de domingo e condicionou a retomada do funcionamento do canal ao seu registro na Justiça Eleitoral em até 48h. Ele considerou que o canal "vinha sendo utilizado na propaganda eleitoral da chapa presidencial sem a comunicação exigida" pela lei eleitoral.

Ele também proibiu Janones de divulgar conteúdos que já foram considerados inverídicos pelo plenário do TSE e de orientar os seguidores a contornar ordens da Justiça Eleitoral.

Após o cumprimento dos requisitos, caberá a Nunes Marques notificar a Meta para restabelecer o envio de atualizações e o ingresso de seguidores.

"Esclareço que eventual responsabilização pela utilização irregular do canal será apurada nas vias próprias, nos termos do art. 57-B, 5º, da Lei n. 9.504/1997, incluindo-se, na categoria de responsáveis, não apenas o administrador dos canais, mas a coligação e os candidatos incumbidos do devido registro", afirmou o ministro.

Facebook deve adotar medidas

O Facebook também deverá, durante o período eleitoral, adotar medidas de acompanhamento proativo das publicações do canal "Exército do Lula" e dos demais canais públicos de grande alcance usados pelas campanhas.

O vaivém de decisões ocorreu por meio de dois processos. A campanha de Flávio protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o grupo de WhatsApp que estava nas mãos de Cueva.

Além disso, o candidato do PL apresentou outro pedido alegando descumprimento de regras do WhatsApp para evitar os disparos em massa. Foi por meio dessa segunda ação que Nunes despachou.

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