Mesmo sem obrigação, idosos votam na Grande Fortaleza: ‘Pra reclamar, você precisa votar’

Urnas estão abertas desde às 8h deste domingo (4); 21,1% do eleitorado cearense possui mais de 70 anos.

Escrito por Diego Barbosa, Gabriela Custódio e Mariana Lemos ceara@svm.com.br
04 de Outubro de 2026 - 10:49 (Atualizado às 11:07)
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Legenda: Maria Soares Lima, 85, e Francisco Leomario Pinheiro, 80, mantém a tradição de votar há décadas.
Foto: Nayana Melo.

Passos lentos, mas muito seguros: mesmo desobrigados por lei a votar, idosos comparecem aos locais de votação na Grande Fortaleza munidos de confiança e vontade. A legislação brasileira determina que precisam comparecer às urnas pessoas maiores de 18 anos e menores de 70.

“Vim com a vista ruim, mas vou voltar em casa pra pegar o óculos e votar”, diz Maria das Graças de Freitas. Aos 76 anos, diz que não falta a nenhuma eleição. Gosta do movimento cívico.

Com ela, 1.479.985 eleitores com 60 anos ou mais devem ir às urnas no Ceará para escolher representantes neste domingo (4), conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Aos 76 anos, Maria das Graças de Freitas diz que não falta a nenhuma eleição.
Legenda: Aos 76 anos, Maria das Graças de Freitas diz que não falta a nenhuma eleição.
Foto: Mariana Lemos.

O número representa 21,1% dos 6.998.494 eleitores cearenses – percentual superior aos cerca de 19% registrados nas eleições de 2022, quando o Estado contabilizava 6.820.673 votantes.

“Quando a gente vai ficando mais velho, às vezes precisa de alguma coisa. Como eu disse ao meu esposo, é melhor a gente votar porque a gente é aposentado, precisamos garantir. Digo assim: ‘Senhor, abençoe essa pessoa, que ela seja boa e faça coisa boa para nós”, completa Maria das Graças, votante na escola Francisco Martins de Morais, no Icaraí, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza.

Ali também vota Ângela Mesquita, igualmente com 76 anos. Mora em Fortaleza, mas transferiu o título para o Icaraí porque vem todos os fins de semana para uma casa de praia.  “Acho que é necessário, um voto a mais. Enquanto eu estiver andando com as minhas próprias pernas, vou votar. A movimentação é sempre intensa, mas venho todo ano cedinho”.

‘A única arma que temos é o voto’

Na Capital, no alto dos 90 anos, José Fábio Ferreira manda recado para quem já não têm obrigação de ir às urnas: “Pra reclamar, você precisa votar. Se você não vota, não reclama. Aceita e vai com a manada. Se quiser exercer a cidadania, a única arma que temos é o voto”.

Ângela Mesquita mora em Fortaleza, mas transferiu o título para o Icaraí, em Caucaia.
Legenda: Ângela Mesquita mora em Fortaleza, mas transferiu o título para o Icaraí, em Caucaia.
Foto: Fabiane de Paula.

Por sua vez, aos 72, Elvaldes Minete segue na mesma direção. Diz que não perde a oportunidade de sair de casa para escolher quem ocupará o poder pelos próximos anos. “É o dever cívico. Então, a gente tem que fazer isso mesmo não necessitando dessa obrigação”.

Até de mãos dadas tem eleitor idoso em direção às urnas. Maria Soares Lima, 85, e Francisco Leomario Pinheiro, 80, dirigiram-se logo cedo ao colégio Ari de Sá Cavalcante, no bairro Edson Queiroz, para não deixar escapar a tradição mantida por décadas.

'É o dever cívico', diz Elvaldes Minete, aos 72 anos.
Legenda: 'É o dever cívico', diz Elvaldes Minete, aos 72 anos.
Foto: Nayana Melo.

“A gente tem que fazer a parte da gente. É uma coisa importante. Nunca perdi uma eleição na minha vida, desde os 18 anos. Morei 35 anos em São Paulo, e lá também votava da mesma forma. Aí vim pra cá, transferi meu título e continuo votando”, conta seu Francisco.

Mário César Sá, 80, e Maria Arioneide Magalhães Sá, 70, foram lado a lado para o local de votação.
Legenda: Mário César Sá, 80, e Maria Arioneide Magalhães Sá, 70, foram lado a lado para o local de votação.
Foto: Nayana Melo.

Mário César Sá, 80, e Maria Arioneide Magalhães Sá, 70, igualmente foram lado a lado para o local de votação. Mário, inclusive, por muito tempo trabalhou como mesário, até os 60 anos. Na fala, palavras de ordem: continuar a votar representa "civilidade, cidadania e soberania”.

Por fim, aos 65, Iberê de Carvalho Pimentel ainda está na idade em que o voto é obrigatório, mas pretende continuar no fluxo mesmo quando não for mais.

Aos 65, Iberê de Carvalho ainda está na idade em que o voto é obrigatório, e pretende seguir votando.
Legenda: Aos 65, Iberê de Carvalho ainda está na idade em que o voto é obrigatório, e pretende seguir votando.
Foto: Nayana Melo.

“Desde que me entendo como cidadão, faço questão realmente de votar. Exercer a minha cidadania e a democracia. Acho importante pro País, inclusive pras pessoas das novas gerações. Transmito isso pra minha filha e para o meu neto, que exerçam a cidadania, o direito de voto. Antes de um dever, é um direito. Pra mim, esse momento é uma festa”.

Números da eleição no Ceará 

Conforme o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), o Ceará é o oitavo maior colégio eleitoral do País e o terceiro do Nordeste. Fortaleza lidera a lista de cidades com maior número de eleitores, seguida de Caucaia, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral.

A maior parcela do eleitorado cearense está concentrada na faixa etária entre 30 e 34 anos: são 739.357 eleitores – 10,56% do total. No panorama de pessoas acima dos 70 anos aptos a votar, constam os seguintes números:

  • 70 a 74 anos – 267.761 eleitores (3,83% do eleitorado)
  • 75 a 79 anos – 197.569 eleitores (2,82% do eleitorado)
  • 80 a 84 anos – 111.336 eleitores (1,59% do eleitorado)
  • 85 a 89 anos – 60.964 eleitores (0,87% do eleitorado)
  • 90 a 94 anos – 24.816 eleitores (0,35% do eleitorado)


O TRE-CE disponibiliza o atendimento on-line no próprio site, com as principais informações sobre os serviços prestados pela Justiça Eleitoral do Ceará, como título de eleitor, certidões eleitorais, justificativas eleitorais, entre outros.

Em caso de dúvidas, o cidadão pode ligar gratuitamente para o Disque Eleitor através do número 148.

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