Gilmar Mendes critica afastamento de diretor da PF: 'gravidade que jamais vi'

Ministro do STF considerou a decisão uma "falta de noção", durante fala na sessão desta terça (15).

Escrito por Beatriz Rabelo beatriz.rabelo@svm.com.br
15 de Setembro de 2026 - 12:58 (Atualizado às 13:32)
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Legenda: Ministro citou que a Polícia Federal funciona a base de hierarquia.
Foto: Reprodução/TV Justiça.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal durante a sessão plenária extraordinária realizada nesta terça-feira (STF). "Submeter uma instituição a esse tipo de vexame é de uma falta de noção, de uma gravidade, que eu jamais vi", afirmou. 

Durante discurso, ainda destacou que qualquer cidadão com "mínimo de noção", compreende que a Polícia Federal é um órgão armado, submetido a uma hierarquia, e que o afastamento do diretor não deveria ter sido feito.

Na última terça-feira (8), William Marcel Murad, diretor-executivo da PF, assumiu o cargo de diretor-geral da corporação após o Andrei Rodrigues ser afastado preventivamente do cargo por decisão do ministro André Mendonça, do STF.

"É como se afastar o diretor da Nasa ou tirar o comandante do exército. Não se faz. A gente tem que se algemar antes de fazer esse tipo de coisa, quando tiver a tentação, tem que pedir que Deus interceda, e não faça", acrescentou Gilmar. 

Luiz Fux responde à declaração de Gilmar Mendes

Em seguida, o ministro Luiz Fux afirmou que a decisão da Segunda Turma considerou desvios de finalidade na atuação do diretor-geral da PF. "Não pode a Polícia Federal trabalhar contra o poder judiciário. Nunca se imaginou a PF peitar um ministro do STF, e era isso que estava acontecendo", afirmou. 

Ele ainda citou a instrumentalização de posições para degradar a corte. "Nós entendíamos que devíamos tomar uma posição para estancar isso, porque entendemos que aquilo era considerado uma anomalia e ia contaminar todos os julgamentos com relação aos fatos graves noticiados". 

Moraes e André debatem sobre a Polícia Federal

O ministro Alexandre de Moraes também comentou sobre o afastamento do diretor da PF. "Quem tem medo da Polícia Federal? Vamos chamar testemunhas que vamos indicar, não só policial, advogados", disse.

Moraes ainda citou que o ministro André Mendonça tinha interesses nessa decisão por estar a "serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país". 

André Mendonça, por sua vez, afirmou que todas as declarações de Moraes eram mentira e que ele iria dar detalhes sobre o tema durante a sua fala.

Na decisão do afastamento do diretor Andrei Rodrigues, no dia 8 de setembro, Mendonça suspendeu qualquer produção ou compartilhamento de relatórios que visem analisar a atuação de autoridades, da advocacia pública ou da atividade de polícia judiciária.

As discussões ocorreram em meio ao plenário do STF, que está analisando se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

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