Esposa de Moraes teve segundo contrato de R$ 50 milhões com empresa ligada a Vorcaro, aponta PF

Informações de relatório da Polícia Federal foram divulgadas nesta terça-feira (1º).

Escrito por Redação producaodiario@svm.com.br
01 de Setembro de 2026 - 21:00
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Legenda: Mensagens relacionadas a possível ligação entre Vorcaro e Moraes foram divulgadas nesta terça.
Foto: Reprodução e Nelson Jr./SCO/STF.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), possuía um segundo contrato de até R$ 50 milhões com uma empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação foi confirmada em um relatório da Polícia Federal, que citou um primeiro contrato de cerca de R$ 131 milhões.

No segundo acordo, firmado em maio de 2025, a previsão era para três anos de serviços jurídicos, com contratação realizada pela Viking Participações, empresa representada por Vorcaro. 

Entre os serviços citados no acordo estavam a consultoria jurídica, acompanhamento de investigações e atuação em processos judiciais, além da possibilidade de pagamento dos honorários por meio da transferência de bens.

O relatório da Polícia Federal (PF) foi elaborado a partir da análise do celular de Vorcaro e tornado público nesta terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça, do STF, determinar o levantamento do sigilo dos autos. 

Conforme dados do relatório, o segundo contrato é diferente de um acordo anterior firmado entre o escritório e o Banco Master. O primeiro, assinado em janeiro de 2024, previa 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões, valor que poderia chegar a R$ 108 milhões em três anos.

Os valores totais previstos, em caso de somatório dos dois acordos, poderiam chegar a R$ 158 milhões. 

Aeronaves teriam sido negociadas

O relatório da PF ainda cita que uma proposta foi assinada entre as partes sete dias depois do contrato. Ela estabelecia que R$ 40 milhões dos honorários seriam pagos por meio de participações em empresas ligadas a duas aeronaves. Enquanto isso, os R$ 10 milhões restantes seriam destinados ao reembolso de despesas relacionadas ao uso e à aquisição dos aparelhos.

Os bens se tratavam de um avião Legacy 650, de prefixo PP-NLR, e um helicóptero Airbus EC 155 B1. Pelo acordo, o escritório receberia 33,33% da empresa relacionada ao avião e 20% da empresa vinculada ao helicóptero.

Além disso, mensagens encontradas pela PF indicam ainda que as aeronaves já eram utilizadas por Viviane. Em julho de 2025, um executivo da Prime You, empresa de compartilhamento de bens de luxo ligada a Vorcaro, perguntou à advogada se ela estava satisfeita com o uso das cotas.

Viviane respondeu que estava gostando da utilização e elogiou o atendimento recebido. Em outra conversa, Vorcaro orientou um funcionário a não deixar de atender a "Barci". 

Apesar das tratativas, os documentos analisados pela investigação não comprovam que a transferência definitiva das participações das empresas proprietárias das aeronaves tenha sido formalizada.

O escritório de Viviane Barci de Moraes nega que tenha existido um segundo contrato efetivamente firmado. A defesa afirma que houve apenas uma proposta de prestação de serviços, que não teria sido aceita, e que os vínculos foram posteriormente encerrados. 

Relação entre Moraes e Vorcaro

Nesta terça-feira (1º), mensagens obtidas pela PF expuseram que Vorcaro chegou a perguntar a Moraes sobre o risco de ser detido e se deveria deixar o país em meio às investigações sobre o banco Master. A PF, no entanto, não aponta que os pedidos feitos pelo banqueiro tenham sido atendidos pelo ministro. 

As mensagens foram recuperadas do celular de Vorcaro mesmo depois de ele utilizar o recurso de visualização única do WhatsApp. De acordo com a investigação, o banqueiro tinha o hábito de escrever textos no bloco de notas, fazer capturas de tela e enviar as imagens pelo aplicativo.

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