Lanterna que iluminou o Maracanã

Confira a coluna desta segunda-feira (6) do comentariata Tom Barros

Jogadores do Fortaleza comemoram gol contra o Flamengo
Legenda: Os jogadores do Fortaleza comemoram a vitória contra o Flamengo no Maracanã
Foto: Vinícius Palheta / Fortaleza

Grande Fortaleza. Notável Fortaleza. Uma vitória para espantar todos os fantasmas que o atormentavam na Série A. Tinha de ser no lendário Maracanã o reencontro do Leão com o triunfo. Um dia tinha de acontecer a virada de página. E aconteceu. Mas o tricolor ainda fez raiva à sua torcida. E a fez por um primeiro tempo, onde poderia ter marcado três gols, mas saiu com um empate (1 x 1). Na segunda fase, mais mérito do Leão. Administrou a pressão aplicada pelo Flamengo. Optou pelos contra-ataques. Teve chance com Pikachu. Teve chance com Hércules. Hugo fez milagre. Mas finalmente, já nos acréscimos, a justiça divina, que tarda, mas não falta, fez brilhar a lanterna. Uma lanterna de luz renovadora, conduzida por um garoto iluminado: Hércules. O gol da vitória (1 x 2). O gol da esperança. O gol para mudar o destino do Fortaleza no Campeonato Brasileiro. O gol que traz de volta a confiança, a autoestima. Este é o Fortaleza de Vojvoda. É o Fortaleza de Zé Welison, ontem o melhor do Maracanã. Que show de Zé Welison. O Fortaleza está na lanterna, mas não é lanterna: ocasionalmente está na última colocação. A torcida voltou a ver o time daquelas camisas.

Nocaute  

Há empates com jeito de vitória. E há empates com jeito de derrota. Há também o empate sem jeito de empate. Esse arrodeio todo para dizer que o empate do Ceará com o Coritiba no Castelão, sábado à noite, foi do tipo mais doído que a dor pode ter. Uma espécie de nocaute que deixa a vítima desabar de corpo inteiro aos pés do demolidor.  

Velha lição  

Meu amigo e leitor, o médico Russen Conrado, gosta de debruçar-se sobre as estatísticas. Está cansado de escrever sobre a importância das finalizações. Está cansado de lembrar velho ditado popular: quem tem dois tem um e quem tem um não tem nada. O placar de 1 a 0 não segura ninguém. Vozão confiou. E quase tomou a virada. O próprio empate foi uma derrota.    

Dois momentos    

Quando o Ceará tomou o gol de empate, dois momentos incríveis: primeiro, a bola estava no ataque em poder do Ceará. Não identifiquei o jogador alvinegro que perdeu a posse. Não se pode perder uma bola assim. Daí o contra-ataque mortal. Segundo, Messias escorregou e ficou batido. Adrián empatou. Pouco depois, o mesmo Messias, que ficaria como vilão, redimiu-se e salvou o gol da virada.   

Frustração    

Não há coisa pior que desperdiçar três pontos contados, quase garantidos. É inaceitável deixar escapar dois pontos, em casa, diante dos times médios. Ficou uma frustração grande. O Vozão teve condições de ampliar, mas foi aceitando o placar mínimo. Erro grave, como diz o Russen. De consolo apenas a notável fase de Mendoza. Está voando. Show.