Marquinhos Navais transforma metrô em palco e inicia nova fase na música com apoio de Bell Marques
Cantor deixou Pernambuco para avançar em trabalho musical na Bahia.
O que começou como uma forma de ajudar a família durante um período de dificuldades financeiras abriu um novo capítulo na carreira do cantor e compositor pernambucano Marquinhos Navais, de 24 anos. O jovem artista agora integra a produtora do veterano do axé Bell Marques, dando um novo passo na trajetória musical.
Após passar cinco anos cantando nos vagões do metrô em Pernambuco, o artista se mudou para Salvador e afirma, em entrevista exclusiva à coluna, que foi convidado pelo ídolo baiano para iniciar uma parceria profissional.
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“A gente veio a convite dele, Bell e Léo Ferreira. Eles chamaram a gente para vir para cá”, contou Marquinhos. Segundo o cantor, a parceria já foi formalizada. “Já batemos martelo, já estamos trabalhando juntos, sim. Já está tudo amarradinho”, afirmou.
A nova fase mantém justamente o elemento que ajudou a construir a própria trajetória: o metrô. Foi nos nos vagões que Marquinhos desenvolveu uma maneira espontânea de cantar, interagir com o público e transformar apresentações simples em momentos de entretenimento.
Agora, essa experiência ganhou o nome de “Vagão da Sofrência” e começa a ser levada para diferentes estações de Salvador.
A história com o metrô começou ainda antes da fama nas redes sociais. Marquinhos conta que começou a cantar aos 10 anos, na igreja, e posteriormente se apaixonou pelo sertanejo e pelo arrocha.
A família passou por dificuldades financeiras depois que os pais se mudaram para Igarassu, em Pernambuco, e ficaram desempregados. Foi nesse contexto que ele foi cantar nos vagões do metrô.
Passei cinco anos da minha vida cantando nos vagões para ajudar minha família, tirando o sustento da minha família. E foi onde tudo aconteceu
Durante a pandemia, a situação se tornou ainda mais difícil. Com a redução do movimento, Marquinhos conta que chegou a chorar dentro do metrô por não conseguir arrecadar o suficiente para levar dinheiro para casa. Foi quando conheceu o influenciador Abdías Melo, que o incentivou a gravar vídeos para as redes sociais e chegou a levar cestas básicas para família dele
Do metrô de Recife ao metrô de Salvador
Depois de deixar Pernambuco e se mudar para a Bahia, Marquinhos passou a morar próximo a uma estação de metrô. A proximidade despertou a vontade de voltar ao lugar parecido com o que ele conviveu na terra natal.
Ele então chamou um amigo, foi até o metrô de Salvador e gravou uma apresentação. O registro foi publicado nas redes sociais sem grandes pretensões, segundo o cantor. O resultado, porém, foi diferente. “Sem nenhuma intenção, só para registrar mesmo. É algo que me faz bem, sabe? Faz parte da minha história, da minha família, da minha jornada”, disse.
A repercussão abriu caminho para a retomada do projeto “Vagão da Sofrência”. Em Salvador, a equipe começou a realizar apresentações em diferentes estações. A primeira aconteceu no Acesso Norte e, segundo Marquinhos, reuniu um público maior do que o esperado. Depois, o projeto chegou à Estação da Lapa.
A gente está dando continuidade ao projeto Vagão da Sofrência, que começou ali só com caixinha de som e o microfone no vagão. A gente fechou de fazer três quintas-feiras, em lugares diferentes
Além das apresentações, cada parada passou a ser transformada em conteúdo audiovisual. A intenção é registrar os encontros com o público e disponibilizar os vídeos nas plataformas digitais.
Arrocha com mistura nordestina
Embora tenha o arrocha como principal identidade, Marquinhos não pretende ficar preso a um único gênero. O cantor define a sonoridade dele de maneira bem-humorada: "tudo pode virar arrocha".
A gente canta tudo. Mas assim, o nosso gênero mesmo é o arrocha. A gente pega tudo o que tiver e bota num arrocha. Forró no arrocha, axé no arrocha, samba-reggae no arrocha, reggae no arrocha
A mistura também aproxima o artista de diferentes públicos e de outros nomes da música nordestina. Durante a entrevista, ele citou artistas que admira e com quem gostaria de trabalhar, entre eles o cantor Wesley Safadão, Xand Avião, Nattan, Nathanzinho Lima e Mari Fernandez.
Fortaleza está no radar do cantor. Marquinhos afirma admirar a quantidade de artistas e a força da cena musical da Capital cearense.
Casado e pai de dois filhos, Marquinhos diz que a mudança para Salvador também representou uma transformação pessoal. Ele afirma ter se adaptado à Bahia e destaca a receptividade encontrada no Estado. “Eu adoro demais Salvador. O estado da Bahia abraça demais, está abraçando muito o meu trabalho, está abraçando muito minha música”, declarou.