Chuva de meteoros Orionidas, próximos às Três Marias, tem pico entre os dias 21 e 22 de outubro

Fragmentos do Cometa Halley aparecem com mais facilidade depois das 2h40, quando a Lua se põe em Fortaleza.

Escrito por
Ednardo Rodrigues producaodiario@svm.com.br
Legenda: Ilustração que simula a chuva de meteoros Orionidas.
Foto: Adaptado do Sttelarium.

A chuva de meteoros Orionidas atinge o pico entre a noite de quarta-feira (21) e a madrugada de quinta-feira (22), de acordo com a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. O fenômeno começou em 2 de outubro e pode ser observado até 7 de novembro. Quanto mais distante do pico, menor é o número de meteoros por hora, mas as noites vizinhas ao dia 21 e ao dia 22 também valem a observação.

Os fragmentos vêm do Cometa Halley, o mesmo responsável pelas Eta Aquáridas de maio, assunto da coluna de 1º de maio. Cada passagem do cometa perto do Sol libera gelo e poeira ao longo da órbita, e a Terra atravessa essa trilha todo ano em outubro. O Halley só volta ao Sistema Solar interno em 2061.

As Orionidas são rápidas. Os grãos entram na atmosfera a 66 quilômetros por segundo, o que produz rastros luminosos que persistem de alguns segundos a minutos e, às vezes, bolas de fogo.

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Sob céu escuro, o esperado em um ano normal é de 10 a 20 meteoros por hora, segundo a Sociedade Americana de Meteoros (AMS, na sigla em inglês). A entidade registra atividade de baixa a média nas edições recentes, e com a Lua no céu a contagem tende a ficar na parte baixa desse intervalo.

Além das Orionidas, o céu recebe as Táuridas, chuva de meteoros lentos ativa nesta época em dois ramos, o do Sul e o do Norte, e os meteoros esporádicos, que não pertencem a nenhuma chuva.

O Royal Museums Greenwich, do Reino Unido, estima cerca de 15 Orionidas por hora no pico, até 5 Táuridas por hora somando os dois ramos e um meteoro esporádico a cada 10 minutos, o equivalente a cerca de 6 por hora. A soma desses três grupos é a taxa mista, que chega a 20 ou 25 meteoros por hora no pico, em condições ideais, com céu escuro, sem Lua e com os radiantes no alto.

Além dos meteoros, é possível observar a Lua, e com um binóculo ou um telescópio a imagem é muito bonita. Ela passou pelo quarto crescente em 18 de outubro, estará com cerca de 75% do disco iluminado na noite do pico e chega à Lua Cheia em 26 de outubro. Em Fortaleza, ela se põe às 2h37 de quinta-feira (22), no horário de Brasília. Até esse momento, o brilho lunar apaga os meteoros mais fracos e deixa visíveis apenas os mais brilhantes.

Como observar a chuva de meteoros no Ceará?

A melhor janela no Ceará vai das 2h40 até o início da claridade do amanhecer, por volta das 4h30. O Sol nasce perto das 5h20. Nesse intervalo, o radiante está muito alto. Radiante é o ponto do céu de onde os meteoros parecem partir, e no caso das Orionidas ele fica na constelação de Órion, onde estão as Três Marias, as três estrelas alinhadas do cinturão do caçador, pouco ao norte da estrela Betelgeuse.

Em Fortaleza, ele passa de 60 graus de altura depois das 2h30 e chega a cerca de 70 graus perto das 4h, quase no zênite, o ponto do céu diretamente acima do observador.

Quanto mais alto o radiante, maior é o número de meteoros visíveis, e essa é uma vantagem de quem observa perto da linha do Equador.

Não olhe apenas para Órion. Os meteoros mais longos e vistosos aparecem entre 45 e 90 graus de distância do radiante, e quem olha direto para ele vê trajetórias curtas por efeito de perspectiva. Deite-se de costas com os pés voltados para nordeste e abranja o máximo de céu possível.

Para os meteoros, binóculos e telescópios reduzem o campo de visão e atrapalham, então use esses instrumentos apenas na Lua. Reserve cerca de 30 minutos para os olhos se adaptarem ao escuro e evite a tela do celular.

Em Fortaleza, a iluminação urbana reduz a contagem, e as melhores condições estão no interior, como o sertão central e a Chapada do Araripe.

Depois do pico, as Orionidas diminuem a cada noite até 7 de novembro, e a Lua Cheia de 26 de outubro ilumina o céu durante a noite inteira. Na noite de sábado (31) para domingo (1º de novembro), perto do feriado de Finados, estarei organizando um grupo de observação em Trairi.

Nessa data, a Lua nasce por volta das 22h45 no litoral cearense, com cerca de 64% do disco iluminado, então o céu fica escuro até esse horário e, depois dele, o luar apaga os meteoros mais fracos.

As Orionidas, já em declínio, dividem o céu com as Táuridas do Sul, conhecidas pelas bolas de fogo, cujo componente mais intenso tem pico em 5 de novembro, de acordo com a AMS. Somados aos esporádicos, esses meteoros formam uma taxa mista de 10 a 15 por hora sob céu escuro e sem Lua, valor que cai a partir das 22h45.

A observação em grupo ganha graça com a contagem de meteoros, e a brincadeira é descobrir quem observa mais durante a noite. A época também colabora, já que outubro faz parte da quadra seca no Ceará, período do ano mais favorável às observações astronômicas.

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião do autor.

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