Setor de bares e restaurantes quer mudanças na legislação após o fim da escala 6x1; veja propostas

Algumas medidas ainda estão em estudo, e os custos adicionais devem ser repassados aos consumidores.

Escrito por Gabriela Custódio gabriela.custodio@svm.com.br
23 de Outubro de 2026 - 06:00
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Legenda: Segundo setor, há algumas medidas em estudo, mas em todas elas o aumento dos custos devem ser repassados para os consumidores.
Foto: JL Rosa / Diário do Nordeste

Com o fim da escala 6x1, o setor de bares e restaurantes diz que irá priorizar a negociação de alterações na legislação antes de qualquer mudança ser implementada nos estabelecimentos.

Aprovada pelo Senado Federal na última quarta-feira (14) e promulgada na sexta-feira (16), a Emenda Constitucional 141 garante dois dias de repouso semanal remunerados e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto, há algumas medidas em estudo, mas em todas elas o aumento do custo deve ser repassado para os consumidores.

Algumas das alternativas consideradas são o fechamento dos estabelecimentos em determinados dias da semana e a ampliação das equipes. A entidade também defenda a flexibilização da escala, para que sejam adotados os trabalhos por hora ou intermitente.

Righetto cita as dificuldades para contratar profissionais no curto prazo, especialmente diante do aumento do movimento turístico em dezembro, quando as mudanças devem começar a valer. 

“Nós realmente vamos ter uma queda na qualidade do serviço muito grande, na disponibilidade do serviço, e [continuaremos] com os mesmos custos fixo. Mesmo que a gente feche alguns dias, que a gente reduza o horário de funcionamento, estaremos reduzindo receita e mantendo os custos fixos. Vamos acabar tendo que repassar para o consumidor final, vai ser algo bastante duro para todo mundo”, afirma.

Supermercados estudam revezamento e automação após o fim da escala 6x1

Já o setor supermercadista estuda mudanças em pontos como os horários de funcionamento, as escalas de trabalho e na implementação de tecnologias para automatizar o serviço.

Um dos temas que estão no radar, ainda que incipiente, é a possibilidade de redução do funcionamento em horários extremos e concentrar a força de trabalho no período de pico. As medidas estudadas ainda estão em avaliação.

Segundo o secretário executivo da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Antonio Sales, o setor também avalia a montagem de escalas de revezamento dinâmicas, distribuindo as folgas entre os dias de menor movimento, principalmente de segunda a quarta-feira, para manter o atendimento nos fins de semana.

As possibilidades de adaptação, no entanto, variam conforme o porte dos estabelecimentos. Enquanto grandes redes têm maior capacidade de investir em tecnologia e inteligência artificial para substituir postos e mitigar perdas operacionais, pequenos mercados enfrentam limitações financeiras e equipes mais enxutas para realizar o revezamento.

O secretário executivo observa que a redução da jornada de trabalho poderá gerar novas contratações, “mas de forma desigual e acompanhada de pressão inflacionária na folha de pagamento e nos custos operacionais”. Nesse contexto, ele aponta perda de capacidade operacional nas lojas e impacto no custo e nas vagas.

“Entidades como a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) projetam que o impacto financeiro imediato na folha de pagamento do setor será de 15% a 20% de aumento de custo”, explica.

O Diário do Nordeste procurou cinco redes que atuam no Ceará para saber quais propostas estão sendo avaliadas, mas duas informaran que não iriam se posicionar. O restante ainda não retorno. O espaço permanece aberto. 

Rede de farmácias já adota escala 5x2 no Ceará; setor avalia horas extras e contratações

A rede Drogasil, que conta com mais de 100 lojas no Ceará, já adota a escala 5x2 em todas as unidades do Brasil desde janeiro de 2026. A implementação do novo modelo teve início em meados de 2025 e foi implementada de forma gradual.

Em paralelo, outras redes de farmácias estudam medidas para se adaptarem ao fim da escala 6x1, como redistribuição das equipes e investimentos em tecnologia e automação.

No Estado, o setor farmacêutico avalia a reorganização das escalas de trabalho e a utilização de horas extras, dentro dos limites da legislação. Com isso, existe a possibilidade de novas contratações de profissionais.

 

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