Linha Leste do Metrô de Fortaleza tem previsão para iniciar operação no fim de 2027, diz secretário

Avenida Santos Dumont foi reaberta nesta sexta-feira após 12 anos de interdição

Escrito por Paloma Vargas e Hugo R Nascimento negocios@svm.com.br
25 de Setembro de 2026 - 13:00 (Atualizado às 15:42)
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Legenda: Estações do Colégio Militar e da Nunes Valente devem ser as primeiras a ser entregues no final de 2027.
Foto: Thiago Gadelha.

A Linha Leste do Metrô de Fortaleza atingiu a marca de 50% de obras na primeira fase (estações que ligam o Centro ao Papicu) e prevê para o fim de 2027 o início de funcionamento para a população. 

"No final do ano de 2027, os dois túneis até o Papicu, que é o final dessa primeira fase, vão estar concluídos. A previsão [para início da operação] é entre o final de 2027 e o começo de 2028, se o estudo trouxer viabilidade técnica", informou o titular da Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra), Hélio Leitão, nesta sexta-feira (25), durante visita às obras do Metrofor.

Também nesta sexta, houve a abertura da Avenida Santos Dumont no trecho entre as ruas Dona Leopoldina e Nogueira Acioli, nas proximidades do Colégio Militar de Fortaleza. O trecho estava interditado há 12 anos em razão das obras do Metrofor. 

Avenida Santos Dumont foi reaberta para o trânsito após cerca de 12 anos.
Legenda: Avenida Santos Dumont foi reaberta para o trânsito após cerca de 12 anos.
Foto: Thiago Gadelha.

A estimativa da data ainda depende da conclusão de estudos de viabilidade técnica da Seinfra para implementar o modelo de operação faseada. Ou seja, na medida que as estações vão ficando prontas elas vão sendo liberadas para que o trem vá e volte daquele ponto.

Pelo projeto original, as composições só começariam a transportar passageiros após a conclusão total do empreendimento, prevista apenas para o fim de 2028.

Contudo, a gestão estadual estuda antecipar a liberação dos trechos concluídos conforme as estações forem entregues.

Segundo Leitão, a conclusão dos dois túneis subterrâneos até a estação Papicu, no fim de 2027, abrirá espaço para a operação antecipada dos trens.

Túnel da Linha Leste.
Legenda: Túnel da Linha Leste.
Foto: Thiago Gadelha.

"No projeto original, a operacionalidade, ou seja, o funcionamento do metrô, só seria para o final da obra. O governador [Elmano de Freitas] pediu para que a gente estudasse com os técnicos a viabilidade técnica para, de acordo com o que a gente for entregando as estações, como Colégio Militar e Nunes Valente, já começar a funcionar", disse ele.

Custo total chega a quase R$ 4 bilhões

​Em relação ao orçamento global da obra, o contrato principal em andamento está cotado em cerca de R$ 2,7 bilhões, referente aos túneis e outras estruturas de estrutura. Quando somado ao valor das três novas estações adicionadas ao projeto — estimado em R$ 1,2 bilhão —, o investimento total na infraestrutura metroviária aproxima-se dos R$ 4 bilhões. Os aportes são do tesouro estadual, BNDES e Caixa Econômica Federal.

​O secretário detalhou também as mudanças administrativas e jurídicas ocorridas no consórcio responsável pela execução das obras da Linha Leste. O desligamento da empresa brasileira Agis que integrava a parceria foi realizado de forma contratual e legal, após a gestão avaliar que a construtora não estava a cumprir os parâmetros e as exigências estabelecidas.

Canteiro de obras nas proximidades da estação Chico da Silva, no Centro.
Legenda: Canteiro de obras nas proximidades da estação Chico da Silva, no Centro.
Foto: Thiago Gadelha.

​Com a alteração na composição, a multinacional espanhola Sacyr assumiu a liderança isolada do projeto. A empresa detém experiência em grandes obras de infraestrutura metroviária internacional, tendo participado na construção de linhas de metrô em diversas cidades da Europa, incluindo Madri.

​"Houve, algum tempo atrás, com a minha participação, a avaliação de que a gente tinha que fazer uma mudança nesse consórcio. Existiam duas empresas, uma espanhola e uma brasileira, e uma das empresas, ao meu ver como gestor, não estava agindo de forma correta. Por isso houve, de forma legal e contratual, a exclusão. Ficou só a Sacyr", afirmou.

Vale lembrar que a Agis Construção S.A. é uma empresa paulista com experiência em obra ferroviária. Tanto que no final do ano passado assumiu  a construção dos lotes 9 e 10 da Ferrovia Transnordestina. 

Interdição da Praça Luíza Távora será provisório e sem demolições

​Sobre as discussões em torno dos impactos das obras na Praça Luíza Távora, Leitão esclareceu que não há qualquer decisão definitiva sobre alterações permanentes no espaço.

​A intervenção prevista contempla apenas a utilização provisória e delimitada de uma parcela da praça durante o período de execução dos trabalhos, evitando a interdição total de vias prioritárias, como a Avenida Santos Dumont. O espaço será recomposto e devolvido à cidade após o término das etapas construtivas.  

​"Não existe nada definitivo. O que há são relatórios e estudos técnicos dos nossos arquitetos e engenheiros indicando a área que teria o menor impacto para a população. Inclusive para não interditar a Avenida Santos Dumont, (a alternativa) era pegar uma parte, provisoriamente, da Praça Luíza Távora. Não é a praça por completo, não é definitivo, é uma parte provisória com prazos. E quero deixar claro, não serão demolidas edificações históricas, não serão demolidos 'castelinhos', de forma nenhuma. Eu não aceito isso", garantiu.
Hélio Leitão
secretário de Infraestrutura

Modernização de linhas existentes entra nos planos do Estado

​Quanto ao planejamento de novas expansões da rede metroviária para além do Papicu, o estado estaria mantendo uma postura cautelosa. A Linha Leste do Metrô possui estudo pra possível espansão até Messejana, passando pela região da avenida Washington Soares.

​"Falar em segunda fase quando a gente nem acabou a primeira seria falta de respeito da minha parte. O meu empenho e a minha dedicação diuturna é acabar a primeira fase até o Papicu. Segunda fase não passa na minha cabeça ainda", diz o secretário. 

Vista parcial de um dos túneis da linha leste do metrô.
Legenda: Vista parcial de um dos túneis da linha leste do metrô.
Foto: Thiago Gadelha.

​Paralelamente, a secretaria já trabalha no aprimoramento das linhas que se encontram em funcionamento. Em parceria com o BNDES, estão sendo desenvolvidos estudos técnicos para viabilizar investimentos de modernização e melhorias operacionais na Linha Oeste do metrô.

"Já a questão do aprimoramento e melhoramento de outras linhas já está no radar e em estudo. O governador Elmano já pediu para avaliarmos a melhoria na Linha Oeste, com estudos do próprio BNDES para a gente fazer essa execução", finalizou Leitão.

Escavação a 30 metros de profundidade mobiliza 1.000 operários

​A execução da Linha Leste envolve engenharia de alta complexidade a cerca de 30 metros de profundidade, com escavações em terrenos de elevada dureza. As equipes enfrentam formações rochosas e lençóis freáticos com grande volume de água, exigindo monitoramento constante do desempenho dos "tatuzões". 

​Atualmente, o canteiro de obras mobiliza cerca de mil trabalhadores dedicados ao avanço dos túneis e das estruturas das estações. A gestão destacou a importância da força de trabalho para manter o ritmo das intervenções dentro dos prazos revisados.

​"O desafio começa pela escavação dos túneis. Nós temos um material rochoso com muita dificuldade para o tatuzão enfrentar e áreas que atravessamos com muita água, porque estamos a 30 metros de profundidade. Daí vocês imaginam o desafio que esses tatuzões enfrentam", completou.

 

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