O acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE), que entrou em vigor no dia 1º de maio, pode ser uma oportunidade para o Ceará quebrar a hegemonia dos Estados Unidos (EUA) como principal destino das exportações do Estado.
Desde 2021, as exportações cearenses para o bloco europeu já acumulam um crescimento médio anual de 18,7%, enquanto para os Estados Unidos foi registrado uma queda de 7,8%.
Os dados foram apresentados pelo analista de inteligência de mercado da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Igor Gomes, durante a edição de Fortaleza do Conexões Produtivas. O evento foi realizado nesta segunda-feira (13), na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
Conforme apontado pelo especialista, os Estados Unidos são o principal destino das exportações do Ceará. Em 2025, foram exportados cerca de US$ 1,05 bilhão (R$ 5,34 bilhões) para o país americano, o que corresponde a 46% das exportações do Estado.
Por outro lado, a União Europeia corresponde ao segundo principal destino das exportações cearenses, assim como ocupa o segundo lugar no ranking de importações do Estado.
No ano passado, o Ceará exportou US$ 448,5 milhões (cerca de R$ 2,28 bilhões) para o bloco, correspondendo a 19,6% das exportações do Estado.
Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia é uma oportunidade clara de crescimento para o Ceará.
Ele projetou avanço não só nos valores exportados, mas também no número de empresas cearenses que comercializam com o bloco europeu.
O acordo Mercosul-União Europeia conectou não apenas dois continentes, mas um mercado muito grande. São 720 milhões de pessoas, um mercado espetacular, com R$ 22 trilhões de PIB. Se nós soubermos aproveitar, e o Ceará tem conseguido aproveitar, eu não tenho dúvida nenhuma de que nós vamos conseguir avançar. (...) A estimativa é de que esse número (de empresas) cresça muito, sobretudo trazendo cooperativos e outros produtores”.
O ministro também referenciou a sobretaxa anteriormente imposta pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros, conhecida como tarifaço.
“O acordo Mercosul-União Europeia vem em boa hora, porque é uma forma de responder a esse unilateralismo. Enquanto alguns impõem barreiras, nós estamos construindo pontes. Enquanto uns fecham, nós estamos abrindo portas”, destacou.
Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA revogou a sobretaxação dos produtos brasileiros, exceto para materiais siderúrgicos, como o aço. A perspectiva é de que o Ceará, assim como o Brasil, pode ser afetado com um novo tarifaço de 25% a ser imposto pelo Governo dos EUA.
Indústria e frutas lideram vendas para o bloco europeu
Ainda de acordo com o painel da ApexBrasil, os produtos cearenses mais exportados para a União Europeia em 2025 foram produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com US$ 140,9 milhões (R$ 717,12 milhões) comercializados.
Em seguida, estão as frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, com US$ 83,2 milhões (R$ 423,45 milhões) exportados e outros minerais brutos, com US$ 63,8 milhões (R$ 324,72 milhões) vendidos.
Em relação aos macrossetores, a indústria de transformação é a que mais se destaca: entre 2021 e 2025, as exportações cearenses do setor para o bloco europeu passaram de 62,4% para 66,4%.
Ao todo, em 2025, o Estado apresentou 154 empresas exportadoras para a União Europeia. Os dados são do Mdic.