IA criada no Ceará detecta 82% de parasitas e evita prejuízo no rebanho

Ganhos produtivos foram analisados em verminoses em ovinos e caprinos.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
06 de Setembro de 2026 - 07:00
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Legenda: StopVerme reduz em até 30% a perda de cabeças de ovinos e caprinos devido a verminoses.
Foto: MAPA/Divulgação.

Uma inteligência artificial (IA) criada no Ceará para detectar parasitas, especificamente verminoses em rebanhos de ovinos e caprinos, conseguiu diagnosticar as doenças em 82% das amostras analisadas. Esse número reduz em, no mínimo, 30% a perda econômica causada com a morte de animais doentes.

O pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, que tem sede em Sobral,Marcel Teixeira, explica que a IA é fruto de uma parceria da empresa pública com a Universidade Federal do Ceará (UFC).

De acordo com ele, a ferramenta foi desenvolvida em meio ao recente interesse do Governo do Estado em investir na criação de um cluster halal para o mercado árabe de ovinos e caprinos.

Com o nome de StopVerme, a ferramenta começou a ser testada em outubro de 2025. Desde então, conseguiu resultados acima do esperado, com detecção de verminoses na maior parte das amostras avaliadas e 83% de precisão em análises posteriores.

Segundo Teixeira, "a ausência de falsos negativos destaca o aplicativo como uma ferramenta eficaz de triagem para o controle seletivo da hemoncose", uma das principais verminoses que atingem ovinos e caprinos. 

O ganho econômico de 30% está relacionado ao fim das perdas no rebanho de criadores dos animais que acontecem em virtude da hemoncose. O pesquisador explica que, com a IA, é possível detectar mais rapidamente a doença para evitar a mortalidade de ovinos e caprinos, mantendo a produtividade.

O rebanho de ovelhas, cordeiros e carneiros do Ceará já é o quarto maior do Brasil, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Como funciona a IA contra verminoses?

Oprofessor do departamento de Engenharia da Computação da UFC e coordenador da pesquisa, Iális Cavalcante, explica o funcionamento do StopVerme, que detecta a verminose por meio da anemia do animal.

"Identificávamos ou por exame de sangue, que custava muito ao pequeno produtor, ou com um cartão que avaliava a cor da mucosa do animal. Nossa aplicação substitui esse cartão, porque é de difícil acesso no Brasil. A impressão saía de qualquer jeito e acabava sendo prejudicial para o produtor", observa.

O professor do departamento de Zootecnia da UFC e doutor em produção animal, Aderson Viana, aponta que, apenas devido a verminoses, pelo menos 25% dos ovinos e caprinos morrem.

"Além das perdas evidentes, animais com elevada infestação ou não tratados tendem a apresentar desempenho inferior, com menos ganho de peso, produção de lã e de leite em comparação a animais tratados", lista.

Para o especialista, a IA se destaca pela praticidade e pela menor necessidade do uso de equipamentos para diagnosticar as verminoses nos animais.

"Com o StopVerme, o ovinocaprinocultor terá um auxílio rápido em identificar a ocorrência de anemia relacionada a verminoses e um indicativo se deve ou não vermifugar o animal", declara.

StopVerme deve ter lançamento comercial

Os resultados obtidos com a IA devem levar a ferramenta a ser lançada comercialmente, como expõem Cavalcante e Teixeira. Os responsáveis pela tecnologia preveem ainda a atuação conjunta da Embrapa e da UFC.

"A estruturação desta nova etapa, que inclui a implementação da infraestrutura web, a segurança de dados, os painéis e a manutenção contínua com a UFC visa consolidar o sistema, reduzir riscos de mercado e proporcionar maior segurança jurídica e técnica para futuras ações de licenciamento comercial", completa o pesquisador da Embrapa.

Viana acredita que o uso do StopVerme deve vir acompanhado da avaliação ampla do estado do animal (chamado de "5-Point Check"), da possibilidade de assistência técnica para identificação dos vermes de maior prevalência no rebanho e de momentos de formação continuada sobre o combate multicêntrico e estratégico das verminoses.

Além dos aperfeiçoamentos planejados, Teixeira declara que o StopVerme deve ser levado para outras localidades além da região de Sobral, onde a ferramenta foi testada.

"Teremos a ampliação da validação externa do aplicativo em diferentes regiões, propriedades, condições ambientais e tipos de manejo, para calibrar a precisão sob variadas condições de uso e múltiplos tipos de rebanho, além de intensificar a disseminação do aplicativo por meio de feiras agropecuárias e dias de campo, e firmar parcerias de extensão técnica rural com agentes locais", enfatiza.

O especialista prevê ainda que a atuação - pelo menos inicialmente - será mantida restrita a ovinos e caprinos. 

"O planejamento do novo convênio prevê a possibilidade de ampliar o escopo da parceria para além do StopVerme, desenvolvendo novos projetos e softwares. As fontes não indicam, no momento, a expansão do aplicativo atual para outras espécies de animais domésticos além do foco consolidado em ovinos e caprinos", diz pesquisado. 

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