O crédito rural é uma ferramenta de financiamento que permite ao produtor obter recursos para diferentes necessidades do campo, como aumentar a produção e a comercialização, comprar equipamentos, construir estruturas e adotar novas tecnologias.
As modalidades são diversas e abarcam desde o pequeno até o grande agricultor, com condições de financiamento, como taxas de juros, prazos e documentação exigida, variando conforme o perfil do produtor e a finalidade do recurso.
“O crédito rural pode ajudar o produtor principalmente a transformar uma necessidade da propriedade em capacidade de produção e geração de renda. É especialmente importante para o pequeno produtor que tem um projeto economicamente viável, mas não dispõe de recursos suficientes para realizar sozinho”, ressalta o economista Alex Araújo.
A seguir, entenda o que é crédito rural, quais são as principais linhas de financiamento e quem pode solicitar o financiamento no Ceará.
O que é crédito rural?
O crédito rural é um financiamento destinado às atividades do campo, como agricultura, pecuária, pesca e agroindustrialização. De acordo com Alex Araújo, o incentivo é oferecido por instituições financeiras autorizadas e está sujeito às regras do Manual de Crédito Rural (MCR), do Banco Central do Brasil.
Quais são as principais linhas de financiamento?
Alex Araújo define as principais linhas de crédito rural de acordo com a finalidade do financiamento:
- Custeio: do financiamento: financia as despesas normais da produção;
- Investimento: permite adquirir máquinas, equipamentos, estruturas e outros bens que permanecem por mais de um ciclo produtivo;
- Comercialização: ajuda o produtor a administrar a venda da produção;
- Industrialização: atende às situações previstas nas regras do crédito rural.
No Nordeste, o especialista destaca o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), que oferece programas como:
- FNE Rural, voltado ao desenvolvimento, modernização e expansão de atividades agropecuárias e florestais;
- Agroamigo, programa de microcrédito rural;
- FNE Irrigação;
- FNE Agropecuária de Baixo Carbono;
- Financiamento de energia renovável e outras soluções.
“O FNE é operado pelo Banco do Nordeste (BNB) e, dependendo do porte, da finalidade e das condições da operação, o financiamento pode alcançar percentuais elevados do investimento. Para miniprodutores e pequenos produtores, por exemplo, o FNE Rural e o FNE Irrigação podem financiar até 100% do investimento. Também oferece prazos longos, com períodos de carência”, descreve.
Outra opção é o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que apresenta diferentes linhas e condições de crédito rural voltadas ao agricultor familiar. Para médios produtores rurais, existe o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que oferece linhas de financiamento para custeio e investimento na atividade agropecuária.
Tanto o Pronaf quanto o Pronamp podem ser operados por diferentes instituições financeiras, incluindo o Banco do Nordeste, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, conforme as linhas e condições disponibilizadas por cada instituição.
Outras linhas que se destacam no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal são:
- Industrialização Geral, da Caixa - juros de 12,5% a.a;
- Custeio de Integração, da Caixa - juros de 12,5% a.a;
- Funcafé Custeio, do Banco do Brasil - juros de 11,5% a.a;
- Custeio Agropecuário, do Banco do Brasil - juros de 12,5% a.a.
Frente às diferentes opções, o economista destaca a importância do produtor avaliar qual linha tem as melhores condições para o objetivo em questão. “Não basta perguntar ‘qual é a menor taxa?’. É importante comparar a finalidade, o prazo, a carência, o percentual que pode ser financiado e as condições específicas de cada programa”, salienta.
Quando devo obter um crédito rural?
O crédito rural pode ser usado de diversas formas, por exemplo:
- No custeio e na comercialização da produção;
- Na industrialização;
- Na participação em cooperativas;
- Na agroecologia;
- Na mecanização;
- Na irrigação;
- Na compra de máquinas e equipamentos;
- Na armazenagem;
- Em inovação tecnológica;
- E em outros investimentos que desenvolvam o estabelecimento rural.
No entanto, Alex Araújo alerta: o crédito não é renda adicional nem dinheiro gratuito. Portanto, não deve ser tratado como solução automática para um problema de caixa ou para uma atividade que não tenha capacidade de sustentar a dívida.
Assim, ele esclarece que o financiamento é recomendável apenas quando o produtor tem uma necessidade concreta e o investimento custeado tem capacidade de gerar receita suficiente para pagar a dívida.
“Antes de contratar, o produtor deve olhar para a finalidade do recurso, o custo do financiamento, o prazo de pagamento e a capacidade de geração de renda da atividade”, aconselha.