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Empresa cearense investe R$ 10 milhões para triplicar produção de leite em Limoeiro do Norte

Expectativa é fazer frente a grandes empresas da região.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
19 de Junho de 2026 - 08:00
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Legenda: A Lá de Casa foi fundada em 2004.
Foto: Fabiane de Paula.

A empresa cearense Lá de Casa, produtora de latícinios de Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe cearense, planeja a primeira expansão de grande porte. A expectativa é de investir R$ 10 milhões em uma nova unidade industrial no município, que deve triplicar a produção e o processamento de leite na região.

As informações são de Rochele Chagas, fundadora e CEO da empesa. Hoje, a fábrica da companhia está instalada em Limoeiro do Norte em uma propriedade localizada em frente à casa da empresária.

Com o crescimento da produção, porém, ficou inviável manter apenas a linha industrial do local em funcionamento. A empreendora afirma que "precisa parar a produção para produzir produtos diferentes".

"A Lá de Casa consegue produzir 30 produtos diferentes em um espaço bem limitado. Trabalhamos com uma média de 15 mil litros de leite por dia, mas a pretensão é de que, com a nova indústria, triplique esse volume. Terá docas para caminhões, estação de tratamento, câmaras frias", lista.

Do quintal de casa ao processamento de 45 mil litros de leite por dia

A Lá de Casa foi fundada em 2004 após Rochele ganhar o diploma de tecnóloga de alimentos do atual Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Limoeiro do Norte.

"Quando me formei, não tinha uma condição financeira de estruturar um laticínio. Iniciei de maneira totalmente artesanal, no quintal da casa da minha família. Comecei comprando 30 litros de leite, vinha para a cidade vender de porta em porta, e meu queijo virou um sucesso que ficou conhecido como o 'queijo da Rochele'", relembra a empreendora.

Rochele foi uma das participantes do Coalizão Agro, em Limoeiro do Norte, evento que discute o agronegócio no Ceará. A cadeia leiteira foi um dos destaques pelo potencial registrado na região.

"A empresa continuou crescendo e, hoje, conseguimos vender em praticamente em todas as cidades do Ceará. Temos um trabalho gigante em várias cidades na questão da captação do leite, e está em um crescimento gigante de uma maneira realmente não esperada por mim", enfatiza.

Não temos noção do impacto que isso causa, sendo uma indústria que gera 40 empregos diretos. São muitas fazendas assistidas e muitas famílias beneficiadas com a compra do leite. Antes existia a cultura das pessoas da zona rural virem trabalhar na cidade. Hoje, tenho produtores de leite que sustentam suas famílias sem precisar sair do campo".
Rochele Chagas
Fundadora e CEO da Lá de Casa

Segundo a empreendedora, a nova fábrica deve triplicar a captação de leite, a capacidade de processamento, passando para 45 mil litros por dia e a geração de empregos, chegando a 120 funcionários.

Lá de Casa concorre com grandes da região, afirma CEO

Limoeiro do Norte faz parte da região com a maior produção leiteira do Estado, cuja liderança de Morada Nova é folgada, principalmente em virtude da fábrica da Alvoar Lácteos no município.

Hoje, o Ceará consegue produzir mais de 1 bilhão de litros de leite por ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Rochele observa que a Lá de Casa concorre no mercado com os grandes produtores no momento da captação do leite, mas se sobressai justamente pelo tamanho da empresa. 

"Por ter uma captação de leite menor, estamos mais junto do produtor. Temos trabalhos que fazemos nas fazendas de assistência, acompanhamos a qualidade do leite todo dia. Crescemos em uma proporção que existe aquela disputa no campo até contra outras maiores", celebra.

A distribuição da Lá de Casa, por força da legislação, ainda é restrita ao mercado estadual. A perspectiva é chegar mais forte no interior cearense com a nova fábrica em Limoeiro do Norte.

"Hoje a nossa distribuição é própria. Atendemos Limoeiro do Norte, Russas, Jaguaruana, Aracati, Camocim, Itapipoca e chega um pouquinho na Capital. Somos mais fortes no interior. A grande maioria dos nossos trabalhadores são da região", enumera empreendedora.

*O repórter viajou a Limoeiro do Norte a convite do Coalizão Agro 2026.

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