Formação e consultoria digitais são usadas no âmbito universitário

Dentro de espaços de ensino e pesquisa, novos médicos podem obter competências digitais; e profissionais especialistas ajudam generalistas em diversos municípios cearenses

Retroalimentar-se é base de qualquer área do conhecimento para que as discussões sobre o assunto em questão não findem a partir da sua popularização. Na telemedicina, isso não seria diferente. Desta forma, núcleos da Faculdade de Medicina e do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), ambos da Universidade Federal do Ceará (UFC), trocam informações a fim de aprenderem entre si – e externarem a estudantes e profissionais – o teor da medicina alinhada às inovações tecnológicas.

Por ser um hospital terciário, o HUWC tem como razão de existir a discussão de casos complexos. De acordo com o gerente de Ensino e Pesquisa da unidade, Renan Montenegro, no que tange à telemedicina, há dois focos de atuação. “Uma é intra, que olha para esse cenário de fomento ao ensino, assistência, pesquisa, desenvolvimento e inovação; e tem outro lado que é um papel da telessaúde”, o qual, segundo ele, ocorre em parceria com médicos do serviço básico por meio da teleconsultoria.

Hematologia

Dentro do Hospital, a Unidade de Onco-Hematologia – que é responsável pelas doenças malignas do sangue - como linfomas, leucemias e mielomas - foi um dos primeiros a iniciar atividades tendo como foco a troca de informações entre médicos a distância. Desde o segundo semestre de 2016, as atividades de teleconsultoria estão em funcionamento, mas, conforme Germison Lopes, hematologista responsável pelas ações de telemedicina, o número de pedidos é baixo.

“Nós recebemos entre cinco e 10 solicitações por mês e temos um potencial muito maior para aumentar a nossa carga de respostas dos pareceres, que ocorre como por e-mail, em até 24 horas”, explica. Segundo ele, basta que o profissional de saúde tenha um computador com acesso à internet para solicitar o encaminhamento.

Tele-educação

Além das teleconsultorias realizadas por unidades do HUWC, tanto o hospital quanto o Núcleo de Tecnologia e Educação a Distância em Saúde (Nuteds) da UFC fortalecem a área em questão por meio de ações em tele-educação (como ensino a distância, videoconferências e webpalestras).

Segundo Luiz Roberto Oliveira, coordenador do Nuteds, o núcleo já formou mais de 10 mil cursistas, durante os 10 anos de atuação, em 25 cursos de Educação a Distância (EaD), tendo taxa de evasão na casa dos 20%. As ações do Nuteds atingem 156 municípios nas áreas de Cardiologia, Dermatologia, Endocrinologia, Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Ginecologia, Enfermagem, Infectologia, Odontologia e Pediatria.

Para o especialista em telemedicina, é preciso que a área seja incluída nos currículos dos novos profissionais por meio de “uma disciplina chamada Saúde Digital, que seja ensinada desde que o cidadão põe os pés na Universidade até que ele saia”, defende. Na sua avaliação, isso ajudaria a melhorar o nível de competência digital dos novos ingressantes em medicina e áreas correlatas.